Reportagem

Primeiros 100 dias de Omar: dívida renegociada, concursos e fim das filas na saúde

Em entrevista exclusiva à Rede Amazônica, governador eleito diz que vai buscar Banco Mundial e BID para trocar empréstimos de juros altos, abrir concursos, chamar aprovados da PM e firmar parcerias com a rede privada para encurtar a espera por consultas e exames

Governador eleito Omar Aziz em entrevista à Rede Amazonica – Foto:Reprodução

O governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), já tem um roteiro para os primeiros 100 dias de mandato, que começa em janeiro de 2027: renegociar a dívida pública do estado, abrir concursos, convocar aprovados da Polícia Militar e reduzir as filas de consultas e exames na rede estadual de saúde.

As prioridades foram apresentadas em entrevista exclusiva à Rede Amazônica, na sexta-feira (6), mesmo dia em que a comissão de transição entre o governo de Roberto Cidade e a futura gestão realizou sua primeira reunião oficial. Na conversa, Aziz também listou os desafios financeiros e administrativos que espera encontrar ao assumir o cargo.

“Juro de agiota”

O ponto central da agenda econômica é a dívida. Questionado sobre dados do Tesouro Nacional que indicam dívida líquida de cerca de R$ 7,5 bilhões, Aziz disse que o problema está no custo dos empréstimos bancários contratados pelo estado.

“O juro, hoje, é de agiota. O banco cobra juro de agiota”, afirmou.

A proposta é substituir essas operações por financiamentos de instituições internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que costumam cobrar taxas menores. Com isso, segundo ele, o estado gastaria menos com juros e amortizações e teria mais dinheiro para investir em serviços públicos.

Aziz argumentou que o governo não funciona como uma empresa privada, que pode tomar crédito e pagar as parcelas com o lucro do negócio, e que por isso a dívida precisa ser administrada de outra forma. Ele disse ainda que pretende analisar um passivo que, segundo ele, existe a favor do estado.

Orçamento com R$ 1 bilhão a menos

O governador eleito também criticou a previsão de receita para 2027 enviada à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), de cerca de R$ 37,8 bilhões. De acordo com Aziz, o valor fica aproximadamente R$ 1 bilhão abaixo do previsto no ano anterior.

Ele afirmou que vai procurar os deputados estaduais para discutir ajustes na proposta. A vice-governadora eleita, Alessandra Campêlo, deve participar das negociações como relatora do orçamento.

Concursos e uma Controladoria independente

Aziz confirmou que pretende realizar concursos em diferentes órgãos estaduais, entre eles a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Para a CGE, ele defende autonomia total, com servidores capazes de apontar irregularidades diretamente ao governador.

“Não pode ser pessoas ligadas ao governo participando da Controladoria. As pessoas têm que ter autonomia para alertar o governador sobre qualquer irregularidade”, disse.

O governador eleito também criticou contratações feitas por adesão a atas de registro de preços de outros órgãos e defendeu mais controle sobre essas operações. Segundo ele, sem fiscalização adequada, esse tipo de contratação abre espaço para desperdício e irregularidades.

Segurança: PM convocada e delegados de volta às delegacias

Na segurança pública, Aziz prometeu convocar os aprovados no concurso da Polícia Militar e reorganizar a distribuição dos servidores da área.

Ele classificou como inadequada a situação de delegados da Polícia Civil cedidos a outros órgãos estaduais em vez de atuarem nas delegacias. Pelas contas do governador eleito, são 31 profissionais nessa condição.

“Tem 31 delegados que foram concursados e passaram para ser delegado de Polícia que estão à disposição de outros órgãos. Isso aí é um absurdo”, declarou.

Aziz disse ainda que vai verificar se há servidores cedidos a outros órgãos sem que as instituições que os recebem arquem com os salários.

Meta dos 100 dias: menos fila na saúde

A promessa mais concreta com prazo definido está na saúde: reduzir as filas de consultas e exames nos primeiros 100 dias de governo. Para isso, Aziz quer firmar parcerias com hospitais particulares, clínicas e laboratórios, por entender que o poder público não consegue atender sozinho toda a demanda do estado.

Segundo ele, o tema foi tratado na semana passada em reunião com o ministro da Saúde, a quem apresentou dados sobre a rede estadual. O objetivo é obter mais recursos federais para ampliar a capacidade de atendimento.

Estiagem e queimadas no radar

Aziz também demonstrou preocupação com a próxima estiagem e disse que o governo precisa se antecipar para evitar que o Amazonas volte a enfrentar queimadas de grandes proporções.

Entre as medidas citadas estão a estruturação de brigadas de prevenção e combate ao fogo e o fortalecimento do Ipaam. Segundo ele, um órgão ambiental bem estruturado também é condição para o estado acessar recursos do Fundo Amazônia e doações internacionais voltadas à proteção ambiental.

Aposta na relação com Lula

Para obras estruturantes, o governador eleito pretende buscar recursos federais, incluindo projetos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e garantindo verbas no orçamento da União.

Aziz afirmou manter boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem conversou por telefone nesta semana. Uma reunião entre os dois, prevista para a próxima semana, deve ser remarcada.

Caso da imagem da filha

Questionado sobre a investigação envolvendo o uso da imagem de sua filha em publicações nas redes sociais durante a campanha, Aziz chamou a ex-adversária Maria do Carmo Seffair (PL) de criminosa e afirmou que outras pessoas também teriam participado do episódio. Ele não deu detalhes sobre o andamento da investigação.

Transição e cautela com os números

A comissão de transição é liderada pela vice-governadora eleita, Alessandra Campêlo. Aziz indicou três nomes para o grupo; além de Alessandra, foram citados Tomás Nogueira e Lucas Brandão. Segundo ele, outros técnicos devem reforçar os trabalhos, já que a equipe terá de analisar diferentes áreas da administração.

Sobre o quadro financeiro herdado, o governador eleito evitou conclusões antes de receber e conferir os dados da gestão atual.

“Eu não quero falar alguma coisa que eu não tenha consciência de que é a verdade verdadeira. Por isso que eu vou esperar para ter essas informações corretamente”, afirmou.

Aziz disse que os primeiros 100 dias serão de muito trabalho para conhecer a estrutura do governo e começar a executar as propostas de campanha.

“Eu vou ter que me desdobrar para a gente poder fazer com que o estado volte a caminhar, volte a se desenvolver”, concluiu.

Com informações da Rede Amazônica.

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