Omar Aziz aposta na experiência administrativa e afasta debate ideológico no embate final pelo segundo turno ao Governo do Amazonas
Em ato na capital, senador do PSD argumenta que nem a aliança com Bolsonaro nem a parceria com Lula garantiram resultados ao estado; aliado, Eduardo Braga alerta para ameaças à Zona Franca em eventual revisão da Reforma Tributária.

A tese: o gestor acima do padrinho político
O candidato do PSD ao Governo do Amazonas, senador Omar Aziz, adotou como eixo de sua campanha no segundo turno a ideia de que a qualidade de uma administração estadual depende de quem a conduz, e não da afinidade do governador com o ocupante do Palácio do Planalto. Na avaliação do parlamentar, que comandou o Executivo amazonense entre 2011 e 2014, a trajetória recente do estado comprova que a proximidade com o governo federal não basta para solucionar problemas locais.
“Não está em quem é o presidente da República, se é de direita, se é de esquerda, se é de centro. Está aqui, em quem senta na cadeira”, declarou.
O exemplo escolhido: oito anos de Wilson Lima
Para sustentar o argumento, Aziz recorreu à gestão de Wilson Lima (União Brasil), eleito em 2018 sob a bandeira da renovação política. O senador lembrou que o ex-governador atravessou o primeiro mandato em sintonia com o então presidente Jair Bolsonaro e o segundo durante o governo Lula, sem que, em sua visão, nenhum dos dois cenários tenha produzido entregas relevantes à população. Diante da plateia, questionou o que teria sido realizado em ambos os períodos.
O senador também relativizou o apelo da novidade na política, afirmando que se apresentar como algo novo é um discurso acessível a qualquer candidato e não comprova capacidade de administrar.
Recado indireto à adversária
Embora não tenha mencionado o nome de Maria do Carmo (PL), sua concorrente na etapa decisiva, a crítica dirigiu-se à estratégia da candidata, que tem vinculado sua campanha ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e ao repertório simbólico da direita nacional. Com a comparação, Aziz buscou transferir a disputa do campo ideológico para o terreno da competência administrativa.
O palco: prefeitos reunidos em Manaus
As declarações ocorreram na tarde de sexta-feira (9), no auditório da Universidade Nilton Lins, em Manaus, durante encontro que contou com a presença dos 62 prefeitos do estado, além de deputados, vereadores e lideranças municipais que declararam apoio à candidatura. O senador solicitou aos chefes dos Executivos municipais que difundam, em suas cidades, a mensagem sobre a relevância da experiência na gestão pública.
Braga alerta para riscos à Zona Franca de Manaus
Reeleito para o Senado, Eduardo Braga esteve entre os principais oradores do encontro e direcionou sua fala à economia amazonense. O parlamentar manifestou preocupação com propostas de revisão da Reforma Tributária, que, em sua avaliação, podem fragilizar a segurança jurídica sobre a qual se sustenta o modelo da Zona Franca de Manaus.
Para reforçar a importância dessa estabilidade, Braga informou que mais de 240 empresas anunciaram a intenção de se instalar ou ampliar suas operações no polo industrial. O senador também mencionou investimentos previstos para o interior, entre eles projetos de petróleo e gás, a exploração de potássio em Autazes e empreendimentos minerais em Presidente Figueiredo.
Segundo Braga, o endividamento do Estado e as dificuldades na saúde pública são desafios que exigem experiência política e capacidade de articulação junto ao governo federal, atributos que, na visão do aliado, credenciam Aziz para o cargo.
Críticas à administração estadual
Aziz apontou o que classifica como falhas do atual governo: a demanda reprimida de pacientes aguardando atendimento via Sisreg, unidades escolares em estado precário, delegacias desativadas e as dificuldades relatadas pelo funcionalismo público.
Queimadas: recurso destinado e avião não adquirido
Parte expressiva do pronunciamento tratou dos incêndios que afetam municípios amazonenses. Segundo o senador, em 2023 ele destinou R$ 15 milhões ao Governo do Estado para a aquisição de uma aeronave de combate a incêndios florestais. De acordo com sua afirmação, o recurso foi repassado, mas o equipamento jamais foi comprado.
Como proposta, Aziz anunciou a criação de brigadas municipais contra queimadas, com capacitação, equipamentos e custeio sob responsabilidade do Estado, em atuação permanente com as prefeituras. “Não tem preço o combate às queimadas”, afirmou.
Saúde: rede regional e novas unidades na capital
Na área da saúde, o candidato prevê a construção de sete hospitais regionais, em articulação com a bancada federal, com o objetivo de diminuir a dependência dos municípios do interior em relação à rede hospitalar de Manaus. Para a capital, defendeu a implantação de um hospital geral e de uma unidade especializada no atendimento à população idosa.
