Alckmin desponta como favorito para a Fazenda no quarto mandato de Lula
Vice-presidente tem perfil fiscalista, trânsito no mercado financeiro e é defensor histórico da reforma tributária, tema sensível para a Zona Franca de Manaus

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece como um dos nomes mais fortes para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25) após uma virada inédita sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A aproximação entre os dois se intensificou desde 2023, e Alckmin conquistou a confiança do presidente ao longo do terceiro mandato. O sinal ficou evidente na noite da vitória: nos dois pronunciamentos que fez, Lula elogiou publicamente o vice, destacou sua lealdade e cedeu a palavra a ele antes de discursar. O petista, que superou a marca de 64 milhões de votos, prometeu “mudar o jeito de governar esse país”.
Perfil que agrada ao mercado
Ex-governador de São Paulo por quatro vezes e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no último mandato, pasta à qual está vinculada a Suframa, Alckmin é conhecido pela defesa da reforma tributária e pelo perfil de responsabilidade fiscal.
Segundo economistas ouvidos reservadamente pelo Estadão, a eventual indicação seria bem recebida pelos investidores. O vice também ganhou visibilidade ao conduzir as negociações com o governo norte-americano durante o tarifaço imposto ao Brasil, ouvindo os setores industriais mais atingidos sem adotar um tom de retaliação contra Donald Trump.
Pessoas próximas relatam que o ajuste das contas públicas foi tema recorrente nas conversas entre Alckmin e Lula, com o vice demonstrando preocupação constante com o crescimento da dívida. Na avaliação de um interlocutor, ele domina os números e sabe qual superávit primário o governo precisará alcançar para reequilibrar as finanças. Ao mesmo tempo, Alckmin defende que o ajuste não penalize a população mais pobre nem provoque recessão no curto prazo.
A preocupação com austeridade também aparece no dia a dia. Em 2024, o vice chamou atenção ao viajar para a China de classe econômica, enquanto outros ministros optaram pela executiva. Ele também teria reduzido as despesas da Vice-Presidência em relação à gestão de Hamilton Mourão.
Fonteles corre por fora
Apesar do favoritismo de Alckmin, uma ala do PT defende o nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que integrou a coordenação da campanha de Lula no segundo turno. Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda piauiense entre 2015 e 2022 e é apontado por parte do partido como possível sucessor de Lula. A tendência do presidente, porém, seria escolher alguém de sua total confiança, bem aceito pelo mercado e de fora do PT.
Questionado nesta segunda-feira (26) sobre a possibilidade, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi direto: “Ele pode ser o que quiser. É um excepcional vice”.
Desafio fiscal e gastos tributários
O primeiro desafio do novo mandato, segundo o Estadão, será impedir que a deterioração dos indicadores financeiros contamine a economia real. Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, o ajuste deve buscar um superávit primário de 2% do PIB, e o governo precisa apresentar rapidamente um plano de corte de despesas.
Entre as medidas apontadas por economistas como prioritárias estão a revisão dos gastos tributários, como são chamados os benefícios e renúncias fiscais, além de mudanças na regra de reajuste do salário mínimo e nos pisos constitucionais de saúde e educação. O debate sobre gastos tributários tende a ser acompanhado de perto no Amazonas, já que os incentivos da Zona Franca de Manaus estão entre os mais relevantes do país.
Abordado por jornalistas após a vitória, Alckmin agradeceu o apoio da população e afirmou que o governo vai trabalhar “de maneira ainda mais redobrada” para avançar em novas reformas.
Com informações do Estadão.
