Omar Aziz tem 51% e abre 14 pontos sobre Maria do Carmo na disputa pelo governo do Amazonas
Primeira pesquisa Quaest do 2º turno, encomendada pela Rede Amazônica, dá ao senador 51% contra 37% da candidata do PL. Levantamento do PoderData divulgado um dia antes registra 52% a 42%. Os números saem no dia de um debate marcado por denúncia de intimidação contra a vice de Omar

Omar Aziz abre 14 pontos na primeira Quaest do 2º turno
O senador Omar Aziz (PSD) chega à reta final da campanha pelo governo do Amazonas com vantagem de dois dígitos sobre a Professora Maria do Carmo (PL). Pesquisa Quaest encomendada pela Rede Amazônica e divulgada nesta terça-feira (13) mostra Omar com 51% das intenções de voto, contra 37% da adversária. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar em nenhum dos dois somam 6%. Outros 6% estão indecisos.
A diferença de 14 pontos fica bem acima da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Omar teria cerca de 58%, e Maria do Carmo, 42%.
Entenda: de onde vêm os 58% de Omar
A Quaest divulgou os números em votos totais, que consideram todos os entrevistados, inclusive quem pretende votar em branco, anular ou ainda não decidiu. Nesse formato, Omar Aziz tem 51% e Maria do Carmo, 37%.
Os votos válidos seguem a regra da Justiça Eleitoral: brancos e nulos são descartados e só contam os votos dados a candidatos. Nas pesquisas, também se retiram os indecisos. No levantamento da Quaest, isso significa deixar de fora 12% dos entrevistados (6% de brancos, nulos e nenhum, mais 6% de indecisos). Os dois candidatos somam então 88% das respostas, e cada um é calculado sobre esse total:
• Omar Aziz: 51 ÷ 88 = 57,95%, ou cerca de 58%
• Maria do Carmo: 37 ÷ 88 = 42,05%, ou cerca de 42%
A conta explica por que a diferença aparece como 14 pontos em votos totais e 16 pontos em votos válidos. O peso de cada candidato é o mesmo, só muda a base de cálculo.
Duas ressalvas: a Quaest não divulgou o resultado em votos válidos, então os percentuais acima foram calculados pela reportagem a partir dos números oficiais. Além disso, a conta pressupõe que os indecisos se dividirão na mesma proporção dos demais eleitores, o que pode não acontecer até 25 de outubro.
É a primeira rodada da Quaest desde a definição do 2º turno, em 4 de outubro. A votação será no domingo, 25 de outubro, mesmo dia em que o país decide a eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Na espontânea, um em cada quatro ainda não tem nome
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, a chamada pesquisa espontânea, a ordem se mantém: Omar tem 42% e Maria do Carmo, 30%. Nesse cenário, 25% ainda não sabem dizer em quem votarão, e 3% falam em branco, nulo ou abstenção.
O voto, porém, parece consolidado para a maioria. Segundo a Quaest, 84% dos eleitores afirmam que a escolha é definitiva. Outros 16% admitem que ainda podem mudar até o dia da eleição, fatia que, em tese, é suficiente para alterar o quadro, mas exigiria uma migração concentrada quase toda em uma direção.
Do 1º para o 2º turno: os dois crescem quase na mesma proporção
No 1º turno, Omar terminou com 40,63% dos votos válidos (841.846 votos), e Maria do Carmo, com 24,49% (507.335). O governador Roberto Cidade (União Brasil), eleito pela Assembleia em maio para um mandato-tampão, ficou em terceiro, com 21,91%. O ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) teve 10,54%.
Pelos votos válidos estimados na Quaest, cada candidato soma algo em torno de 17 pontos ao próprio desempenho no 1º turno. Na prática, Maria do Carmo vem absorvendo parte relevante do eleitorado que ficou pelo caminho, mas não o bastante para encurtar a distância de 16 pontos com que terminou a primeira etapa.
O instituto chega a este 2º turno com um bom histórico recente no Estado: na última rodada antes do 1º turno, feita em 2 e 3 de outubro, a Quaest registrou 40% a 25% nos votos válidos, praticamente o resultado das urnas.
Desdobramentos: debate tenso e denúncia de intimidação
A pesquisa foi divulgada no mesmo dia do primeiro debate do 2º turno na TV, promovido pela TV Norte Amazonas, afiliada do SBT. O encontro terminou em confusão. Ao fim da transmissão, o policial militar Kidson Maia (PL), aliado de Maria do Carmo e candidato a deputado estadual não eleito, fez um gesto de degola, passando a mão pelo pescoço, em direção a Alessandra Campelo, candidata a vice na chapa de Omar. Segundo ela, o gesto foi repetido três vezes, diante das câmeras.
“Isso é uma violência contra a mulher, uma violência política de gênero também”, disse Alessandra, que registrou ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, em Manaus, contra Kidson e o deputado federal eleito Alexandre Salazar (PL), por ameaça, difamação e violência política de gênero, e anunciou que pedirá medida protetiva. Até o fechamento desta reportagem, não havia notícia de decisão judicial sobre o pedido.
Omar reagiu no local, e o episódio também registrou bate-boca do senador com um integrante da equipe adversária. “Eu reagi e reagiria em qualquer momento que visse um homem ameaçar de matar uma mulher”, afirmou depois. “Nunca vi isso em campanha.” Salazar disse a jornalistas que não viu o gesto: “Eu não vi, eu estou sendo justo aqui, eu não vi”. Vídeos que circularam nas redes, no entanto, mostram o próprio Salazar repetindo o movimento. Kidson deixou o local sem dar explicações.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Adjuto Afonso, divulgou nota em nome dos deputados estaduais classificando o gesto como “inadmissível” e pedindo apuração pelas autoridades. Até o fechamento, a campanha de Maria do Carmo não havia se manifestado publicamente sobre o caso.
Desdobramentos: a disputa pelo espólio do 1º turno
Com os dois finalistas somando pouco mais de 65% dos votos válidos no 1º turno, a corrida por apoios definiu a primeira semana de campanha. O Avante, de David Almeida, declarou apoio a Omar em 5 de outubro, e o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), também anunciou voto no senador. O PSB de Serafim Corrêa, vice na chapa de Roberto Cidade, seguiu o mesmo caminho.
Já a Federação União Progressista (União Brasil e PP), comandada no Estado pelo ex-governador Wilson Lima e por Roberto Cidade, anunciou neutralidade na disputa estadual e liberou os filiados, embora apoie Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Reportagem da Revista Cenarium, com base em fontes do PL, relatou um acordo de bastidor para apoio discreto a Maria do Carmo, informação que não foi confirmada oficialmente pelos envolvidos.
Maria do Carmo, que teve cerca de três quartos dos votos em Manaus, aposta em ampliar presença no interior, onde Omar venceu na maioria dos municípios, e espera a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao Estado.
Comparativo: o que mostra o PoderData
Um dia antes da Quaest, na segunda-feira (12), o PoderData, divisão de pesquisas do jornal digital Poder360, divulgou levantamento contratado pelo portal RealTimeAM. O cenário é o mesmo, com Omar à frente, mas a distância é menor: 52% a 42%, uma vantagem de 10 pontos. Brancos e nulos somam 4%, e 2% não sabem. Nos votos válidos, o placar é de 56% a 44%.
O PoderData ouviu 1.200 eleitores em 62 municípios, de 8 a 11 de outubro, com margem de erro de 2,8 pontos. A Quaest entrevistou 1.098 pessoas de 9 a 12 de outubro. Ou seja, os dois levantamentos foram a campo praticamente no mesmo período.
| Indicador | Quaest (13/10) | PoderData (12/10) | Diferença | Fora da margem? |
| Omar Aziz (PSD) | 51% | 52% | +1 PD | Não |
| Profª Maria do Carmo (PL) | 37% | 42% | +5 PD | Limítrofe* |
| Branco/nulo/nenhum | 6% | 4% | −2 PD | — |
| Indecisos / não sabe | 6% | 2% | −4 PD | — |
| Vantagem de Omar | 14 pontos | 10 pontos | −4 PD | — |
| Votos válidos – Omar | 58%** | 56% | −2 PD | — |
| Votos válidos – Maria do Carmo | 42%** | 44% | +2 PD | — |
| Voto definitivo | 84% | 89%*** | +5 PD | — |
| Entrevistas | 1.098 | 1.200 | ||
| Campo | 9 a 12/out | 8 a 11/out | ||
| Margem de erro | ±3 p.p. | ±2,8 p.p. | ||
| Contratante | Rede Amazônica | RealTimeAM |
PD = pontos percentuais. * A diferença de 5 pontos supera a margem de cada pesquisa isolada, mas os intervalos se tocam: na Quaest, Maria do Carmo pode ter até 40%; no PoderData, no mínimo 39,2%.
** Votos válidos calculados a partir dos números totais da Quaest. *** No PoderData, a pergunta foi feita só a quem escolheu um dos candidatos.
Onde as pesquisas convergem e onde divergem
Os números de Omar são praticamente idênticos nas duas pesquisas: 51% e 52%, diferença de apenas um ponto, dentro de qualquer margem. A diferença está em Maria do Carmo, que aparece cinco pontos acima no PoderData. Esses pontos parecem sair do grupo de indecisos e de quem vota branco ou nulo, que soma 12% na Quaest e só 6% no PoderData.
Parte da diferença pode vir do método de coleta. O PoderData usa entrevistas telefônicas automatizadas (URA/IVR), em que o eleitor responde por teclado a uma gravação. O próprio instituto informa em seu relatório que a margem de erro é “uma estimativa aproximada”, porque a lista telefônica não cobre toda a população. Formatos assim costumam registrar menos indecisos. Em resumo, as duas pesquisas mostram o mesmo favorito com vantagem de dois dígitos, e divergem sobre quanto Maria do Carmo já conseguiu atrair do eleitorado que ainda hesita.
O que o PoderData revela além do placar
Transferência de votos. O eleitorado de Roberto Cidade é hoje o principal reforço de Maria do Carmo: 53% de quem votou no governador no 1º turno dizem que vão de PL, contra 37% que preferem Omar. Com os eleitores de David Almeida acontece o inverso: 58% vão com Omar, e 37% com Maria do Carmo. Cada finalista mantém cerca de 90% dos próprios eleitores.
Gênero. A maior distância está no voto feminino: entre as mulheres, Omar tem 61%, contra 34%. Entre os homens, Maria do Carmo vence por 50% a 43%.
Religião. Maria do Carmo lidera entre evangélicos (58% a 36%), e Omar tem ampla vantagem entre católicos (68% a 29%). Cada grupo responde por cerca de 41% e 42% da amostra.
Regiões. Na região Rio Negro-Solimões, que inclui Manaus e concentra dois terços do eleitorado ouvido, Omar tem 51%, contra 42%. As maiores vantagens do senador estão no Alto Solimões (69% a 26%) e no Baixo Amazonas (65% a 33%). Maria do Carmo vence nas regiões do Madeira (53% a 42%), Purus (54% a 42%) e Alto Rio Negro (50% a 43%). No Juruá, há empate em 45%.
Expectativa de vitória. Para 64% dos entrevistados, Omar tem mais chance de ganhar, e para 30%, Maria do Carmo. Mesmo entre evangélicos, a maioria (53%) aposta na vitória do senador.
Quem ainda hesita. Entre os que não decidiram ou podem mudar o voto, 52% tendem a Omar e 32% a Maria do Carmo, enquanto 9% dizem que vão anular.
Empate na disputa presidencial
O PoderData também mediu a eleição presidencial no Estado, e o resultado contrasta com o quadro local: Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 49% cada. O voto na disputa nacional acompanha de perto o estadual. Entre os eleitores de Omar no 1º turno, 78% vão de Lula. Entre os de Maria do Carmo, 86% escolhem Flávio. Isso indica que o senador consegue votos para além do eleitorado lulista, sobretudo entre as mulheres, que dão a Lula 56% contra 41%.
Ficha técnica
Quaest — Contratante: Rádio TV do Amazonas Ltda. (Rede Amazônica). 1.098 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais, de 9 a 12 de outubro de 2026. Margem de erro: 3 pontos percentuais; nível de confiança: 95%. Registro: AM-09760/2026.
PoderData — Contratante: RealTimeAM Portal de Notícias Ltda. Pesquisa telefônica (IVR) com 1.200 eleitores de 16 anos ou mais em 62 municípios, de 8 a 11 de outubro de 2026. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais; nível de confiança: 95%. Registros: BR-07193/2026 e AM-08245/2026.
