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Fim da 6×1 vira trunfo de Lula na campanha à reeleição e entra na Constituição

Emenda 141 garante dois dias de descanso semanal e reduz a carga máxima de 44 para 40 horas em duas etapas, sem corte de salário; texto passou com apoio de governo, centrão e oposição

A escala 6×1, em que o trabalhador passa seis dias no serviço para descansar apenas um, deixou de existir na Constituição. O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que obriga as empresas a concederem duas folgas por semana a quem tem carteira assinada. A cerimônia foi conduzida pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na prática, a mudança tem duas partes. A primeira é o descanso: em vez de um, serão no mínimo dois dias livres por semana, o modelo conhecido como 5×2. A segunda é a carga horária: o limite semanal, hoje de 44 horas, vai diminuir aos poucos até chegar a 40 horas. O salário não pode ser reduzido por causa disso.

Quando começa a valer

As regras não entram em vigor de imediato. As empresas terão 60 dias, ou seja, até meados de dezembro, para garantir a segunda folga semanal. Nessa mesma data, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas. A etapa final, que leva o limite a 40 horas por semana, chega 12 meses depois, em dezembro de 2027.

O escalonamento foi a forma encontrada para dar tempo de adaptação a comércio, indústria e serviços, setores em que a escala 6×1 é mais comum.

Apoio amplo no Congresso

A proposta, que recebeu o número de Emenda Constitucional 141, foi aprovada com folga tanto na Câmara quanto no Senado. Votaram a favor parlamentares da base do governo, do centrão e também da oposição, apesar da resistência de parte do empresariado.

No Senado, Alcolumbre foi peça-chave. Ele sustentou a votação mesmo sob pressão, articulou um calendário especial que permitiu concluir os dois turnos na última quarta-feira (14) e celebrou o resultado no plenário. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), outro fiador do acordo, também esteve na sessão solene.

Peso eleitoral

Para Lula, que disputa a reeleição, a medida é uma das principais bandeiras de campanha e uma aposta para ampliar sua popularidade entre os trabalhadores. A aprovação também reflete a reaproximação entre o presidente e Alcolumbre.

Entenda em 4 pontos

  • O que é a 6×1: seis dias de trabalho para um de descanso, regime comum no comércio e nos serviços.
  • O que passa a valer: no mínimo duas folgas por semana e jornada máxima de 40 horas, sem corte de salário.
  • Prazo: 42 horas e duas folgas em 60 dias; 40 horas um ano depois.
  • Quem é atingido: trabalhadores com carteira assinada, regidos pela CLT.

TABELA 1 — O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1

O que mudaComo eraComo fica
Escala de trabalhoEra permitido trabalhar seis dias seguidos com apenas uma folga (6×1)Mínimo de duas folgas por semana (5×2), uma delas preferencialmente no domingo
Jornada semanal máxima44 horas42 horas em 60 dias; 40 horas 12 meses depois
Jornada diáriaAté 8 horasContinua com limite de 8 horas por dia
SalárioProtegido pela regra geral de irredutibilidadeProibida qualquer redução de salário ou dos pisos das categorias
Quem já trabalha 40 horas ou menos—Não terá nova redução proporcional de jornada
Escalas especiais (como a 12×36)Definidas por acordo coletivoContinuam permitidas por acordo, desde que respeitem a média de 40 horas semanais
MEI e pequenas empresasO MEI pode contratar um empregadoO MEI poderá contratar dois, desde que mantenha o nível de empregos
Atividades aos domingosFuncionam normalmenteServiços essenciais seguem funcionando; o descanso é reorganizado na escala
Quem é atingido—Trabalhadores com carteira assinada (CLT)

TABELA 2 — CALENDÁRIO DA MUDANÇA

QuandoO que acontece
16 de outubro de 2026Promulgação da Emenda Constitucional 141
Meados de dezembro de 2026 (60 dias)Começam a valer as duas folgas semanais e a jornada máxima cai para 42 horas
Dezembro de 2027 (12 meses depois)Jornada máxima chega a 40 horas semanais
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