Omar Aziz dispara na frente no Amazonas, mas 2ª vaga ao Senado e corrida presidencial seguem indefinidas
Pesquisa da DMP, divulgada nesta sexta-feira (03/07), mostra o senador do PSD com 33,9% dos votos válidos para o Governo do Estado e vitória projetada em qualquer cenário de segundo turno; Lula lidera a disputa presidencial no Amazonas com folga, enquanto Eduardo Braga e Capitão Alberto Neto travam a corrida pelas duas vagas do Senado

A pouco mais de três meses do início oficial da propaganda eleitoral, o Amazonas já tem um retrato bastante nítido de como caminha a disputa por três das principais cadeiras do país: o Palácio Rio Negro, duas vagas no Senado e a Presidência da República. É o que revela a mais nova pesquisa de opinião pública encomendada pela DMP — design, marketing e propaganda —, registrada no TSE sob o número BR-05620/2026 e divulgada nesta sexta-feira, 3 de julho. O Portal Zona Franca reuniu os principais números, cruzamentos e tendências do levantamento para explicar, de forma direta, o que eles significam para quem vai às urnas em outubro.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores amazonenses a partir de 16 anos, entre os dias 1º e 2 de julho, em 20 municípios — Manaus e mais 19 cidades do interior —, um recorte que responde por 76,5% de todo o eleitorado do Estado, segundo dados do TSE de maio de 2026. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. As entrevistas foram feitas por telefone (fixo e móvel), por Discagem Aleatória de Dígitos (RDD), e os resultados foram ponderados pelo método Rake, com base em sexo, idade, escolaridade e nível de ocupação — o que, na prática, significa que a amostra foi ajustada para reproduzir o perfil real do eleitorado amazonense.
Governo do Amazonas: Omar Aziz constrói vantagem sólida e mira o Palácio Rio Negro
Se a eleição fosse hoje, Omar Aziz (PSD), 55 anos, venceria a disputa pelo Governo do Amazonas com folga. Na pesquisa estimulada — quando os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado —, o senador aparece com 33,9% dos votos válidos, praticamente o dobro do segundo colocado. Logo atrás, uma verdadeira zona de empate técnico separa três nomes: David Almeida (AVANTE), com 19,8%; Roberto Cidade (União Brasil), com 19,2%; e Maria do Carmo (PL), com 18,3% — uma diferença de menos de dois pontos entre eles, dentro da margem de erro da pesquisa. Fecham a lista Gilberto Vasconcelos (PSOL), com 1,2%, e Isael Munduruku (Rede), com 1,1%. Brancos e nulos somam 3,8% e os indecisos, 2,9%.
| Candidato | Partido | 1º turno |
| Omar Aziz | PSD | 33,9% |
| David Almeida | Avante | 19,8% |
| Roberto Cidade | União Brasil | 19,2% |
| Maria do Carmo | PL | 18,3% |
| Gilberto Vasconcelos | PSOL | 1,2% |
| Isael Munduruku | Rede | 1,1% |
| Branco/Nulo | — | 3,8% |
| Não sabe | — | 2,9% |
Pesquisa estimulada · Governador · N = 1.200 · Registro TSE nº BR-05620/2026
Capital x interior: a régua que separa quem lidera de quem sonha com a virada
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é o tamanho do fosso entre Manaus e o interior do Estado na avaliação dos candidatos ao Governo. Omar Aziz salta de 25,9% na capital para 42,8% no interior — praticamente dobra sua vantagem fora de Manaus, onde parece consolidado como o nome de maior força eleitoral. Já na capital, a disputa é bem mais equilibrada: Maria do Carmo (23,0%), Roberto Cidade (21,1%) e David Almeida (17,6%) reduzem a distância para o líder, mostrando que é dentro de Manaus — onde vive mais da metade do eleitorado amazonense (52,5% da amostra) — que o resultado ainda pode ser mais disputado.
O levantamento também mostra que Omar tem desempenho mais forte entre homens (36,6% contra 31,4% entre as mulheres), entre eleitores com ensino superior completo (42,0%) e entre os mais jovens, de 16 a 34 anos (acima de 36% nessas faixas). Já entre eleitores com mais de 60 anos, seu índice cai para 28,3% — ainda assim, a maior marca da faixa etária.
Segundo turno: Omar Aziz vence em todos os cenários testados
A DMP simulou três cenários de segundo turno, todos com Omar Aziz garantindo vitória confortável, mas com variações que interessam de perto às campanhas adversárias. Contra Maria do Carmo, o senador venceria por 55,8% a 34,4%. Contra David Almeida, a distância é praticamente a mesma: 55,5% a 36,9%. É contra Roberto Cidade, porém, que Omar teria sua melhor performance — 58,3% a 33,3%, a maior margem entre os três cenários testados.
| Cenário | Omar Aziz | Adversário | Br/Nulo | Não sabe |
| Cenário 1 | 55,8% | Maria do Carmo — 34,4% | 6,3% | 3,6% |
| Cenário 2 | 55,5% | David Almeida — 36,9% | 4,2% | 3,4% |
| Cenário 3 | 58,3% | Roberto Cidade — 33,3% | 5,3% | 3,2% |
Simulações de 2º turno · Registro TSE nº BR-05620/2026 · Divulgação: 03/07/2026
Em todos os recortes — capital e interior, homens e mulheres, todas as faixas etárias e de escolaridade —, Omar Aziz mantém vantagem em segundo turno contra os três principais adversários. No confronto com Roberto Cidade, por exemplo, ele chega a 68,1% no interior; contra Maria do Carmo, essa marca é de 67,9%. É no eleitorado com curso superior completo que o senador mais se destaca nos três cenários, alcançando até 70,6% dos votos válidos contra Roberto Cidade.
Segunda opção e transferência de votos: quem herda o eleitorado dos concorrentes
Quando perguntados sobre uma segunda opção — caso o candidato escolhido não concorra —, 46,3% dos eleitores amazonenses dizem não ter alternativa para o Governo, um sinal de que parte considerável do eleitorado ainda constrói sua decisão em torno do primeiro nome que vem à cabeça, sem um plano B consolidado. Entre os que têm uma segunda opção, Roberto Cidade aparece em primeiro lugar nas citações (12,2%), seguido por David Almeida (11,7%), com Omar Aziz e Maria do Carmo empatados em 10,1%.
Somando 1ª e 2ª opção, o potencial de crescimento de cada candidatura fica mais claro. Omar Aziz mantém a liderança do chamado “potencial de votos”, com 44,0% (33,9% na primeira opção mais 10,1 pontos de quem o citaria em segundo lugar). Na sequência aparecem David Almeida, com 31,5% de potencial, e Roberto Cidade, com 31,4% — praticamente empatados. Maria do Carmo fecha o pelotão de frente com 28,4%.
A pesquisa também mapeou o fluxo de transferência de votos entre os candidatos, e o resultado ajuda a explicar por que Omar Aziz vence com folga em qualquer segundo turno: os eleitores de David Almeida e de Roberto Cidade migram majoritariamente para o senador do PSD — cerca de 52% a 68% da base desses dois candidatos, a depender do cenário —, enquanto a base de Maria do Carmo é a única que se divide de forma mais equilibrada entre os finalistas, e no confronto Omar x Roberto chega a pender minimamente para o lado do candidato do União Brasil.
Senado: Eduardo Braga na frente, mas 2ª vaga é uma briga de foice só ponta
Para as duas vagas do Senado, a pesquisa perguntou em quem o eleitor votaria para a 1ª e para a 2ª vaga separadamente, somando depois as duas indicações para chegar a um “potencial combinado” de cada nome. Eduardo Braga (MDB) lidera com folga a primeira escolha do eleitor, com 31,9%, e soma 21,8% no potencial combinado — o maior de todos os candidatos ao Senado. Capitão Alberto Neto (PL) vem em seguida, com 25,3% na primeira vaga e 17,3% no total combinado.
A verdadeira disputa, porém, está pela segunda cadeira do Senado, onde três nomes aparecem tecnicamente empatados: Wilson Lima (União Brasil), com 13,8% no potencial combinado; Plínio Valério (PSDB), com 13,4%; e o próprio Alberto Neto, com 17,3% — uma margem estreita o suficiente para que qualquer movimento de campanha nas próximas semanas mude o resultado. Completam a lista Marcos Rotta (Avante), com 8,1%; Marcelo Ramos (PT), com 7,5%; Chris Melchior (PSB), com 3,0%; Milton Xuxa (Mobiliza), com 0,7%; e Ismael Munduruku (Rede), com 0,5%. Brancos e nulos somam 6,5% e os indecisos, 7,3% — um contingente ainda considerável, que pode decidir a segunda vaga.
| Candidato | Partido | 1ª vaga | 2ª vaga | Potencial (1ª+2ª) |
| Eduardo Braga | MDB | 31,9% | 11,8% | 21,8% |
| Capitão Alberto Neto | PL | 25,3% | 9,9% | 17,3% |
| Wilson Lima | União Brasil | 14,7% | 12,9% | 13,8% |
| Plínio Valério | PSDB | 11,1% | 15,8% | 13,4% |
| Marcos Rotta | Avante | 5,8% | 10,4% | 8,1% |
| Marcelo Ramos | PT | 5,7% | 9,3% | 7,5% |
| Chris Melchior | PSB | 1,7% | 4,4% | 3,0% |
Senado · Duas vagas · Estimulada · Registro TSE nº BR-05620/2026
Um dado chama atenção dos analistas: Plínio Valério é o nome que mais cresce quando o eleitor pensa na 2ª vaga, saltando de 11,1% (1ª opção) para 15,8% (2ª opção) — um ganho de 4,7 pontos percentuais, o melhor desempenho de segundo voto entre todos os candidatos ao Senado. Já quem vota em Alberto Neto tende a completar a chapa com Plínio Valério, reforçando um eixo mais à direita, enquanto o eleitorado de Eduardo Braga se divide entre Wilson Lima e o próprio Plínio — sinal de que o líder da corrida ainda não tem um “parceiro de chapa” natural consolidado.
Presidência: Amazonas segue no campo de Lula, mas Flávio Bolsonaro resiste com força na capital
Na disputa presidencial, o Amazonas segue majoritariamente no campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 48,1% dos votos válidos no Estado. Flávio Bolsonaro (PL) é o segundo colocado, com 35,4% — uma distância de quase 13 pontos, mas ainda assim uma votação expressiva, sobretudo na capital. Os demais nomes aparecem com votação residual: Renan Santos (Missão), 3,6%; Augusto Cury (Avante), 2,3%; Ronaldo Caiado (PSD), 1,8%; Joaquim Barbosa (DC), 1,5%; e Romeu Zema (Novo), 1,3%. Brancos e nulos somam 1,8% e os indecisos, 4,3%.
Assim como na disputa ao Governo, o recorte capital x interior é decisivo para entender a corrida presidencial no Amazonas. Lula dispara no interior, onde chega a 61,9% dos votos válidos, contra apenas 28,1% de Flávio Bolsonaro na mesma região. Já em Manaus, a disputa fica mais equilibrada: 35,6% para Lula contra 42,1% para Flávio, que lidera a capital amazonense. Juntos, os dois nomes somam 83,5% dos votos válidos no Estado — um retrato de como a eleição presidencial no Amazonas, assim como no restante do país, segue fortemente polarizada entre esses dois campos.
O efeito “arrasta-voto”: como presidente e senadores puxam o Governo do Estado
Um dos cruzamentos mais estratégicos da pesquisa mostra como as candidaturas à Presidência, ao Senado e ao Governo se relacionam entre si — o chamado efeito coattail, ou “arrasta-voto”, tão decisivo em eleições concorrentes. O dado mais expressivo: mais da metade da base eleitoral de Omar Aziz (54%) é formada por eleitores que também votam em Lula para presidente, o maior vínculo identificado entre um nome à Presidência e um nome ao Governo no Estado. Isso significa que boa parte do avanço de Omar no interior tende a acompanhar o desempenho de Lula na região.
Já a base de Roberto Cidade é a que menos depende do eleitorado bolsonarista — apenas cerca de 3 em cada 10 votos do candidato do União Brasil vêm de eleitores de Flávio Bolsonaro —, o que sugere um perfil mais transversal ou ainda pouco definido ideologicamente aos olhos do eleitor. David Almeida, por sua vez, pende levemente para o campo de Flávio, enquanto Maria do Carmo aparece como a candidatura mais “sem lado” entre as quatro principais, dividindo seu eleitorado de forma mais equilibrada entre os dois polos nacionais.
No Senado, o cruzamento mostra que nenhum dos postulantes à segunda vaga tem uma base de apoio dominante: a militância de Maria do Carmo se conecta mais com o Capitão Alberto Neto, reforçando o eixo de oposição/direita; já o eleitorado de Omar Aziz tende a somar com Wilson Lima, no chamado eixo de situação — mas com uma ressalva importante: quase 4 em cada 10 votos de Wilson Lima vêm exclusivamente da base de Omar, uma dependência que pode ser tanto força quanto risco, caso o desempenho do senador oscile nas próximas semanas.
O que os números indicam para a corrida no Amazonas
Passados os primeiros grandes retratos da temporada eleitoral, a pesquisa da DMP consolida um cenário de vantagem robusta — mas não incontestável — para Omar Aziz no Governo do Estado, sustentada especialmente pela força do interior e pelo vínculo com a candidatura de Lula à reeleição. Ao mesmo tempo, mostra uma capital, Manaus, mais fragmentada e disputada, onde David Almeida, Roberto Cidade e Maria do Carmo ainda brigam ponto a ponto por espaço. No Senado, a primeira vaga já tem favorito quase definido em Eduardo Braga, mas a segunda cadeira segue em aberto, com pelo menos três nomes — Alberto Neto, Wilson Lima e Plínio Valério — na zona de disputa direta. Já na corrida presidencial, o Amazonas confirma a tendência observada em pesquisas nacionais: um Estado onde o petismo mantém força histórica, mas onde o bolsonarismo, representado por Flávio Bolsonaro, segue competitivo, sobretudo dentro dos limites de Manaus.
Com o início oficial da campanha eleitoral ainda a alguns meses de distância, os números desta pesquisa servem como um retrato do momento — não uma previsão fechada do resultado de outubro. Alianças partidárias, coligações, o horário eleitoral gratuito e os próximos capítulos da conjuntura nacional e estadual ainda podem reconfigurar parte deste tabuleiro. Mas, por ora, fica claro: quem quiser disputar o segundo turno com Omar Aziz — e quem quiser garantir a segunda vaga ao Senado — terá pela frente uma disputa decidida nos detalhes, eleitor a eleitor, de Manaus ao mais distante município do interior amazonense.
Ficha técnica da pesquisa
• Contratante/realização: DMP — design · marketing · propaganda
• Registro no TSE: nº BR-05620/2026 · DMP/CRE 7ª Região nº 8903
• Período de campo: 1º e 2 de julho de 2026 · Divulgação: 3 de julho de 2026
• Universo: eleitores a partir de 16 anos, residentes e votantes em Manaus e mais 19 municípios do Amazonas (76,5% do eleitorado estadual)
• Amostra: 1.200 entrevistas, por amostragem probabilística com probabilidades desiguais (RDD — Discagem Aleatória de Dígitos)
• Ponderação: método de calibração Rake, com base em sexo, idade, escolaridade (TSE, maio/2026) e nível de ocupação (PNAD Contínua/IBGE)
• Margem de erro: 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança
• Perfil da amostra: Capital 52,5% / Interior 47,5% · Feminino 52,0% / Masculino 48,0% · Ocupados 57,0% / Não ocupados 43,0%
Portal Zona Franca
Reportagem elaborada com base na Pesquisa de Opinião Pública — Estado do Amazonas (Governador · Senado Federal · Presidente da República), realizada pela DMP, registrada no TSE sob o nº BR-05620/2026, com divulgação em 03/07/2026. Todos os percentuais citados referem-se a votos válidos e/ou distribuição observada por segmento, conforme metodologia descrita na ficha técnica.
