Valorizando a mulher amazônica
Consubstanciar as funções técnicas com jeitão profissional

Coluna Bem Na Foto | Portal Zona Franca — Manaus, Amazonas
Quem é Ana Carla Lopes
Natural de Belém do Pará, a advogada Ana Carla Machado Lopes é formada pela Universidade da Amazônia (Unama) e acumula pós-graduações em Direito Público com ênfase em Gestão Pública, além de formação em Ciência Política e Administração Pública. Antes de chegar ao primeiro escalão do governo federal, construiu trajetória no serviço público paraense e em Brasília: passou pela Assessoria Legislativa e Chefia de Gabinete na Assembleia Legislativa do Pará (2015–2018) e, entre 2019 e 2023, atuou na Câmara dos Deputados como assessora legislativa e chefe de gabinete.
Em setembro de 2023, tornou-se a primeira mulher, em 20 anos de história, a ocupar a Secretaria-Executiva do Ministério do Turismo — posição que exerceu ao lado do então ministro Celso Sabino, hoje deputado federal, até o início de 2026, quando a pasta passou por reformulação em seu comando.
A nova posição: quem a chamou e onde ela vai atuar
Ana Carla passa agora a integrar o corpo técnico da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade federal vinculada à Presidência da República e sediada em Brasília (DF), onde funcionam sua sede e a maior parte das equipes técnicas responsáveis pelas políticas industriais do país.
A ABDI vive um momento de reorganização: em abril de 2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício interino da Presidência, nomeou Olavo Noleto Alves — até então à frente do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável) — para comandar a Agência por um mandato de quatro anos. Foi ao lado do novo presidente que a chegada de Ana Carla à instituição foi apresentada, movimento que reforça a formação de uma equipe técnica alinhada às prioridades atuais da Agência.
Quais serão suas funções
Na ABDI, a advogada paraense foi designada para atuar em frentes diretamente ligadas ao fortalecimento da indústria nacional, entre elas:
- Inovação e transformação produtiva;
- Bioeconomia e sustentabilidade;
- Desenvolvimento tecnológico aplicado ao setor produtivo.
São áreas que dialogam com programas estratégicos da Agência, como a Nova Indústria Brasil (NIB), citada pelo próprio presidente Olavo Noleto como eixo central da atuação da ABDI para os próximos anos.
O que isso representa para o Norte e para Manaus
A chegada de uma técnica amazônida a um posto estratégico de uma agência federal de desenvolvimento industrial tem leitura direta para Manaus. A capital amazonense concentra o maior parque industrial da região Norte — o Polo Industrial de Manaus —, e a pauta da bioeconomia, um dos eixos de atuação de Ana Carla na ABDI, é justamente onde a Amazônia tem protagonismo natural: valorização de cadeias produtivas sustentáveis, inovação tecnológica aplicada aos ativos da floresta e diversificação da matriz industrial regional.
Ter, na equipe técnica que ajuda a desenhar essas políticas em Brasília, alguém que vivenciou de perto os desafios da região Norte — como já relatou em entrevistas ao Ministério do Turismo, ao falar da importância da regionalização e da valorização das tradições locais — é visto por observadores do setor como um canal a mais de sensibilidade para que a bioeconomia amazônica ganhe corpo nas políticas industriais nacionais, com possíveis reflexos em projetos e investimentos voltados a Manaus e ao restante do Amazonas.
Uma trajetória de representatividade
Ana Carla também carrega o simbolismo de ter sido pioneira: mulher, nortista e amazônida à frente de uma secretaria-executiva ministerial pela primeira vez em duas décadas. Agora, na ABDI, soma-se a um momento em que a presença feminina em cargos técnicos estratégicos do governo federal ganha cada vez mais espaço — reforçando a pauta que dá título a esta coluna: valorizar a mulher amazônica não é apenas reconhecer sua origem, mas também sua competência técnica à frente de decisões que impactam o país.
Bem Na Foto — Portal Zona Franca, Manaus (AM)
