Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno, mas aprovação segue no vermelho
Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra presidente à frente de Flávio Bolsonaro em todos os cenários testados, mas reprovação ao governo (48,3%) segue maior que aprovação (39,7%); rejeição a ambos os polos é o principal obstáculo à eleição

A menos de três meses do início oficial da campanha, a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana confirma um cenário eleitoral polarizado, mas com vantagem consistente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o deputado Flávio Bolsonaro (PL) em todas as simulações de primeiro e segundo turno. O levantamento ouviu 4.999 pessoas entre 26 e 30 de junho, com margem de erro de ±1 ponto percentual e 95% de nível de confiança.
Aprovação em queda, mas dentro da margem de oscilação
O desempenho do governo segue sendo o principal entrave à candidatura de Lula à reeleição. A aprovação pessoal do presidente caiu para 45,9%, ante 52,3% de desaprovação — um recuo de um ponto em relação a abril. Já a avaliação do governo é ainda mais desfavorável: 48,3% classificam a gestão como ruim ou péssima, contra 39,7% que a consideram ótima ou boa, e 12% a veem como regular. A série histórica da Atlas mostra que a reprovação supera a aprovação desde meados de 2025.
Lula à frente em todos os cenários de primeiro turno
Nos três cenários testados com Lula como pré-candidato, o presidente oscila entre 46,3% e 47,2% das intenções de voto — sempre à frente de Flávio Bolsonaro, que varia de 36,3% a 36,6%. Quando simulada a repetição exata do primeiro turno de 2022, com Lula e Jair Bolsonaro na disputa, o placar fica mais apertado: 44,4% a 41,4% a favor do presidente, dentro de uma margem que já favoreceu o ex-presidente em pesquisas anteriores da série. Em um cenário no qual Michelle Bolsonaro assume a cabeça de chapa da direita, Lula amplia a distância para quase 28 pontos, evidenciando o menor reconhecimento da ex-primeira-dama fora do eleitorado bolsonarista mais fiel. Testado como opção alternativa ao PT, o ministro Fernando Haddad venceria Flávio Bolsonaro por margem estreita, 39,7% a 36,7%, mas fica bem abaixo do desempenho de Lula.
No segundo turno, vantagem de Lula se mantém — mas encolhe
Todos os seis cenários de segundo turno simulados pela Atlas apontam vitória de Lula. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente venceria por 48,8% a 42,3% (vantagem de 6,5 pontos), abaixo da margem que chegou a superar 10 pontos no início do ano. Contra outros nomes da direita — Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Michelle Bolsonaro — a distância varia de 6 a 20 pontos. Mesmo em simulações sem a participação de Lula, o campo governista leva vantagem: Geraldo Alckmin bateria Flávio Bolsonaro por 47,4% a 41,7%, e Haddad venceria por margem mais apertada, 46,4% a 42,8%.
Rejeição alta divide o eleitorado entre dois medos
A pesquisa expõe o desgaste dos principais nomes em disputa: Flávio Bolsonaro tem 53% de rejeição total (eleitores que afirmam não votar nele “de jeito nenhum”), atrás apenas de Aécio Neves (54%). Lula aparece na sequência, com 48,6% de rejeição, à frente de Jair Bolsonaro (45,2%) e Michelle Bolsonaro (43,2%). Fernando Haddad é o nome mais bem avaliado entre os citados, com rejeição de 30,7%. Questionados sobre o que mais temem no resultado das eleições, 48,4% dos entrevistados dizem temer a eleição de Flávio Bolsonaro, contra 42,4% que temem a reeleição de Lula — uma diferença que vem se ampliando desde fevereiro, quando os dois receios estavam praticamente empatados.
Segurança pública é o ponto fraco de Lula
Ao comparar diretamente Lula e Flávio Bolsonaro por área de governo, os entrevistados confiam mais no presidente em praticamente todos os temas — saúde, educação, política externa, meio ambiente e democracia lideram com vantagem de 7 a 8 pontos. A distância diminui em pautas econômicas, como geração de empregos e equilíbrio fiscal, e se inverte apenas em segurança pública: 47% confiam mais em Flávio Bolsonaro para tratar de criminalidade e tráfico de drogas, contra 43% que confiam em Lula — a única área em que o deputado leva vantagem.
Um eleitorado fragmentado em cinco blocos
O retrato ideológico do eleitorado ajuda a explicar a disputa acirrada: a direita bolsonarista soma 23,7% dos entrevistados, praticamente empatada com os autodeclarados independentes (22,8%) e com a esquerda lulista (22,7%). Direita não bolsonarista (15,6%) e esquerda não lulista (11,5%) completam o quadro — dois blocos que despontam como o verdadeiro fiel da balança em um eventual segundo turno. No campo partidário, PT (23,8%) e PL (21,3%) seguem como as legendas mais lembradas, mas quase 3 em cada 10 entrevistados (29,2%) dizem não ter partido de preferência algum, sinal de um eleitorado ainda pouco fidelizado a menos de quatro meses da eleição.
Metodologia: pesquisa Atlas Intel/Bloomberg, registrada no TSE sob o número BR-04582/2026, realizada por recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) entre 26 e 30 de junho de 2026, com 4.999 entrevistados representativos da população adulta brasileira. Margem de erro de ±1 ponto percentual, com 95% de nível de confiança.
