Amazonas

Omar lidera; três candidatos formam um bloco colado atrás – Pesquisa Eficaz revela embolada  corrida pelo Palácio Rio Negro

A pesquisa Eficaz Pesquisa e Tecnologia, registrada no TSE sob o número AM-06823/2026, entregou ao Amazonas um retrato político que vai deixar assessores de campanha acordados à noite: a corrida pelo Governo do Estado está num empate técnico de quatro vias que joga alerta nas equipes de campanha.

O levantamento ouviu 1.507 eleitores entre os dias 31 de maio e 4 de junho de 2026, em Manaus e mais onze municípios do interior, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

QUEM É O ELEITOR AMAZÔNICO QUE FOI OUVIDO

Antes dos números, o perfil de quem respondeu à pesquisa diz muito sobre o Amazonas real. A maioria é do sexo feminino (52,1%). Em termos de faixa etária, o eleitor de 25 a 34 anos é o grupo mais numeroso (23,9%), seguido de perto pelos eleitores de 45 a 59 anos (22,3%). A maior parte tem ensino médio completo ou incompleto (56,3%).

Na renda, o dado mais revelador: 53,2% dos entrevistados vivem com até dois salários mínimos — menos de R$ 2.824,00 por mês. Esse é o eleitor que vai às urnas na Amazônia. Pobre, majoritariamente evangélico (44,6%) ou católico (40,7%), e com vida concentrada em Manaus (52,4% das entrevistas), mas com peso expressivo no interior (47,6%).

A distribuição geográfica do interior incluiu Manacapuru (16,1%), Itacoatiara (15,1%), Parintins (14,5%), Coari (10,3%), Tefé (10,0%), Iranduba (9,1%), Presidente Figueiredo (5,7%), Careiro (5,6%), Borba (4,9%), Rio Preto da Eva (4,8%) e Careiro da Várzea (3,8%).

A PERGUNTA QUE VALE OURO: O ESPONTÂNEO

Antes de mostrar qualquer nome, os pesquisadores perguntaram diretamente: “Em quem você votaria para governador?” A resposta espontânea é sempre a mais honesta — e o dado mais revelador aqui é o que não aparece.

70,5% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder. Ou seja, 7 em cada 10 amazonenses, sem estímulo, ainda não têm um nome de governador na cabeça. Isso não é apatia — é uma janela enorme de disputa que está completamente em aberto.

Entre os que responderam espontaneamente:

  • Omar Aziz lidera com 10,9%
  • Maria do Carmo aparece com 7,4%
  • Roberto Cidade registra 6,4%
  • David Almeida marca apenas 3,5%
  • Wilson Lima, ex-governador, soma tímidos 0,8%

O que esse dado diz na prática: Omar é o único nome que já “entrou” na cabeça do eleitor sem precisar de lembrete. Os demais ainda dependem muito do estímulo — do cabo eleitoral, do palanque, da TV.

O CENÁRIO ESTIMULADO: QUATRO NO MESMO BALAIO

Quando os nomes são apresentados ao eleitor, a fotografia muda — e fica ainda mais equilibrada:

CandidatoIntenção de Voto
Omar Aziz (PSD)25,3%
David Almeida (Avante)19,0%
Maria do Carmo (PL)18,8%
Roberto Cidade (União Brasil)18,5%
Branco / Nulo11,9%
Não sabe / NR6,4%

Traduzindo sem eufemismo: há apenas 6,8 pontos percentuais separando o primeiro do quarto colocado, dentro da margem de erro de 3 pontos. Na prática, David Almeida, Maria do Carmo e Roberto Cidade estão tecnicamente empatados na disputa pelo segundo lugar — e qualquer um dos três pode chegar ao segundo turno ao lado de Omar.

A DIFERENÇA ENTRE CAPITAL E INTERIOR — E AÍ ESTÁ O SEGREDO

Os números por localidade contam uma história completamente diferente:

CandidatoCapitalInteriorTotal
Omar Aziz19,4%31,8%25,3%
David Almeida18,9%19,2%19,0%
Maria do Carmo22,3%15,0%18,8%
Roberto Cidade21,9%14,8%18,5%
Branco/Nulo13,3%10,3%11,9%
Não sabe4,2%8,9%6,4%

A leitura direta: Omar vence o interior, mas  Manaus é um espaço a ser conquistado. É justamente o peso do interior — que representa 47,6% da amostra — que o mantém na liderança geral. Se a eleição fosse decidida só na capital, o jogo estaria invertido. Maria do Carmo (22,3%) e Roberto Cidade (21,9%) lideram na capital.

REJEIÇÃO: O NÚMERO QUE MATA CANDIDATURA

Em política, quem rejeita é tão importante quanto quem aprova. E os dados de rejeição da pesquisa Eficaz são duros:

CandidatoRejeição
David Almeida29,9%
Omar Aziz22,8%
Maria do Carmo17,0%
Roberto Cidade10,4%
Não rejeita nenhum9,2%

A combinação mais perigosa em uma candidatura é: alto voto + alta rejeição. Esse é exatamente o perfil de David Almeida. Ele mobiliza eleitores, mas também mobiliza adversários. Em um segundo turno, seu teto pode ser baixo justamente porque a rejeição tende a se consolidar contra ele.

Roberto Cidade apresenta o cenário inverso — pouco conhecido, mas pouquíssimo rejeitado. Pode ter  espaço  para crescer. O problema: o tempo está correndo.

A DISPUTA PELO SENADO: BRAGA À FRENTE, WILSON PAGA O PREÇO DA RENÚNCIA

Na corrida pelas duas vagas ao Senado Federal, a pesquisa Eficaz mediu a média entre a 1ª e a 2ª opção dos eleitores:

CandidatoCapitalInteriorTotal
Eduardo Braga (MDB)19,8%29,5%24,4%
Capitão Alberto Neto (PL)18,0%11,4%14,8%
Wilson Lima (União Brasil)7,7%16,4%11,8%
Plínio Valério (PSDB)11,4%8,6%10,1%
Marcelo Ramos10,1%7,2%8,8%
Marcos Rotta10,3%6,0%8,3%
Chris Melchior4,6%3,6%4,1%

Braga domina o interior (29,5%) e Neto lidera na capital (18,0%). Wilson Lima, que renunciou ao governo para disputar o Senado, aparece em terceiro lugar — e ainda enfrenta o desgaste de quem abriu mão do cargo mais importante do Estado. Na capital, registra apenas 7,7%.

ANÁLISE FINAL — O QUE OS NÚMEROS DIZEM, SEM RODEIOS

A pesquisa Eficaz confirma o que os bastidores políticos de Manaus já sentiam, mas poucos tinham coragem de dizer em voz alta: esta eleição não está definida.

  • Omar Aziz tem nome e o interior, mas tem rejeição a vencer na capital.
  • David Almeida tem estrutura e capital político, mas carrega o maior peso de rejeição do campo (29,9%).
  • Maria do Carmo e Roberto Cidade disputam o mesmo eleitorado de direita e centro-direita, e ambos precisam de um acontecimento para se diferenciar.

O eleitor amazonense — majoritariamente pobre, evangélico, com ensino médio, vivendo com menos de dois salários mínimos — ainda não decidiu. Mais de 70% nem tem nome na cabeça. Outubro ainda está longe, e o jogo começou agora de verdade.

Fonte: Pesquisa Eficaz Pesquisa e Tecnologia | Registro TSE: AM-06823/2026 | 1.507 entrevistados | Período: 31 mai a 04 jun 2026 | Margem de erro: ±3 p.p. | Confiança: 95%

Estatístico responsável: Erico Jander da Silva Lopes (CONRE-8940) | Coordenação: Jeane Paula Tavares Pires

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