Reportagem

Diferença cai pela metade: Flávio tem 51% e Lula 49% dos votos válidos, diz Datafolha

Senador oscila para baixo, presidente oscila para cima e rejeição dos dois fica empatada; Nordeste segura Lula, Sul e Sudeste sustentam Flávio na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro

A disputa pela Presidência da República chegou à reta final em situação de empate técnico. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, não é possível afirmar que um dos candidatos esteja à frente.

O segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro — daqui a dez dias. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos, mesmo critério usado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para proclamar o resultado.

Os números: vantagem que encolheu

Na comparação com a primeira rodada do instituto após o primeiro turno, divulgada em 8 de outubro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro oscilou um ponto para baixo nos votos válidos, e Lula, um ponto para cima. Com isso, a distância caiu de quatro para dois pontos.

Nos votos totais, que consideram todos os entrevistados, Flávio recuou de 49% para 47%, enquanto Lula manteve os 45%. Brancos e nulos somam 6%, e os indecisos, 2% — ambos os grupos subiram um ponto.

Cenário8 de outubro15 de outubroVariação
Flávio — votos válidos52%51%−1
Lula — votos válidos48%49%+1
Flávio — votos totais49%47%−2
Lula — votos totais45%45%=
Branco / nulo5%6%+1
Indecisos1%2%+1

Do favoritismo de Lula à virada nas urnas

O quadro atual contrasta com o que o Datafolha registrava antes da votação de 4 de outubro. Na simulação de segundo turno divulgada em 1º de outubro, Lula aparecia com 48% e Flávio, com 45%. Na véspera do primeiro turno, o petista também liderava as intenções de voto.

As urnas, porém, inverteram a ordem: Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos (cerca de 56,1 milhões de votos), contra 45,16% de Lula (cerca de 53,9 milhões). A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos é o ponto de partida da campanha petista na reta final.

Rejeição: polarização em estado puro

O índice de eleitores que dizem não votar de jeito nenhum em cada candidato também está empatado tecnicamente. Lula é rejeitado por 46%, mesmo patamar da semana anterior. Flávio é rejeitado por 44%, um ponto a mais do que na rodada passada.

Com rejeições próximas da metade do eleitorado para os dois lados, a margem de crescimento de ambos é estreita. Na prática, a eleição tende a ser decidida em uma faixa pequena de eleitores: os 8% que hoje votariam em branco, anulariam ou não sabem, além dos que podem desistir de ir às urnas.

O mapa do voto: quem sustenta cada candidato

Os recortes do Datafolha mostram eleitorados com perfis bem definidos. Flávio domina o Sul e o Sudeste — este último, a região mais populosa do país, concentra 42% da amostra. Lula mantém hegemonia no Nordeste e vantagem entre mulheres, católicos e eleitores de menor renda e escolaridade.

Segmento (votos totais)FlávioLulaPeso na amostra
Sudeste51%41%42%
Sul57%35%—
Nordeste32%61%27%
Evangélicos62%29%30%
Católicos42%52%48%
Homens52%40%49%
Mulheres40%49%51%
Renda de 2 a 5 salários mínimos55%40%37%

O dado que chama atenção: entre os evangélicos, um dos pilares do bolsonarismo, Flávio caiu de 69% para 62% em uma semana, enquanto Lula subiu de 25% para 29%. A oscilação está dentro da margem de erro específica do segmento, que é maior do que a da pesquisa geral, mas é o movimento mais expressivo entre os grupos analisados. Também houve leve recuo de Flávio na faixa de renda de 2 a 5 salários mínimos (de 56% para 55%) e no Sul (de 58% para 57%).

O que dizem os outros institutos

O Datafolha é, até agora, o levantamento que mostra a disputa mais apertada. Outras pesquisas divulgadas nesta semana também apontam Flávio numericamente à frente, mas com diferenças variadas:

  • AtlasIntel: Flávio 52,8% x Lula 47,2% (votos válidos)
  • BTG/Nexus: Flávio 52% x Lula 48% (votos válidos)
  • Quaest: Flávio 46% x Lula 44% (votos totais)

Em comum, todos os institutos indicam vantagem numérica do senador, mas dentro ou próxima da margem de erro — cenário que mantém o resultado em aberto.

Análise: o que pode decidir a eleição

  • Tendência x fotografia: a oscilação favorável a Lula é pequena e está dentro da margem, mas interrompe o embalo de Flávio após a vitória no primeiro turno. A próxima rodada dirá se é tendência ou ruído estatístico.
  • Abstenção: com diferença de dois pontos, a capacidade de cada campanha de levar seu eleitor às urnas — especialmente no Nordeste, para Lula, e no Sudeste, para Flávio — pode pesar mais do que a conquista de novos votos.
  • Brancos, nulos e indecisos: somam 8% dos votos totais e tornaram-se o principal alvo das duas campanhas.
  • Campanha negativa: com rejeições empatadas, a estratégia de ataque ao adversário na propaganda eleitoral tende a se intensificar nos últimos dez dias.

Ficha técnica

  • Instituto / contratante: Datafolha / Folha de S.Paulo
  • Entrevistados: 2.520 eleitores com 16 anos ou mais, entrevistas presenciais
  • Período: 13 a 14 de outubro de 2026
  • Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos
  • Registro no TSE: BR-00466/2026

• Registro BR-00466/2026 citado por apenas um veículo; conferir no sistema PesqEle do TSE antes de publicar.

• Os recortes por segmento são em votos totais. A comparação com a semana anterior usa a rodada de 6 e 7/10 (BR-02949/2026).

dados apurados em O Povo, Metrópoles, Diário do Nordeste, Alô Alô Bahia, Gazeta do Povo, Jornal de Brasília/Folhapress, O Antagonista e Contigo.

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