Manaus

Direção do Samu Manaus rebate governo e apresenta dados para negar responsabilidade por superlotação no 28 de Agosto

Diretora do serviço afirma que encaminhamentos seguem critérios de gravidade clínica e aponta falta de raio-X e de especialistas em unidades estaduais como causa real dos gargalos

Imagem e arte do site Copaíba Notícas

A direção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Manaus veio a público contestar declarações do governador Roberto Cidade e do secretário de Estado de Saúde, Luis Alberto Saraiva, que atribuíram ao serviço parte da responsabilidade pela superlotação registrada no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Em depoimento, a diretora do Samu, Ellen Assunção, apresentou números da regulação médica para sustentar que os encaminhamentos obedecem a critérios técnicos e que o problema estaria ligado à falta de estrutura em outras unidades da rede estadual.

A acusação do governo

A polêmica ganhou força depois que o governador Roberto Cidade e o secretário Luis Saraiva relacionaram a superlotação no 28 de Agosto ao direcionamento de pacientes feito pelo Samu. A gestão estadual chegou a apontar que ambulâncias teriam sido concentradas em uma mesma unidade, provocando congestionamento no atendimento de urgência e emergência na capital.

 A resposta da direção do Samu

Segundo Ellen Assunção, a versão divulgada pelo governo é equivocada e desconsidera o funcionamento da regulação médica do serviço. De acordo com a diretora, o Samu não encaminha pacientes exclusivamente ao 28 de Agosto, mas distribui as remoções entre todas as portas de urgência disponíveis na rede.

“A gente não leva somente paciente até o 28 de Agosto, a gente leva em todas as portas disponíveis para atendimento”, afirmou, destacando que a triagem prioriza pacientes classificados como vermelhos e amarelos — ou seja, casos de maior gravidade que exigem atendimento imediato.

Os números apresentados pela regulação médica

Para reforçar o argumento, a direção do serviço divulgou o volume de remoções realizadas às três principais unidades de urgência da capital:

– Hospital Platão Araújo: 5.985 remoções

– Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto: 5 mil remoções

– Hospital João Lúcio: 3.987 remoções

Os dados, segundo a diretora, mostram que o 28 de Agosto não concentrou o maior volume de encaminhamentos e que a distribuição segue um fluxo técnico, e não uma escolha arbitrária do Samu.

Falta de estrutura nos SPAs pesa nas decisões

Ellen Assunção afirmou que parte dos encaminhamentos é condicionada pela ausência de equipamentos básicos em Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) estaduais, como aparelhos de raio-X, o que inviabilizaria o atendimento de casos de trauma nesses locais.

“Eu não posso levar um paciente para um SPA que não tem ortopedista, não tem raio-X para fazer o atendimento, sabendo que na cena eu tenho uma fratura de perna”, explicou. Segundo ela, essa limitação estrutural — e não uma falha da regulação — é o que direciona parte da demanda para hospitais como o Platão Araújo e o João Lúcio.

A diretora também esclareceu por que o Hospital João Lúcio aparece com volume menor de remoções: a unidade é referência em neurotrauma, o que restringe o encaminhamento a pacientes com esse perfil clínico específico.

Cobrança por reconhecimento da categoria

Ao concluir o depoimento, Ellen Assunção afirmou que a categoria espera uma resposta oficial do governo do Estado diante dos dados apresentados. Segundo ela, informações sobre a falta de leitos e de recursos em algumas unidades estariam documentadas pelo próprio serviço, mas não teriam sido consideradas nas declarações do secretário de Saúde e do governador.

“A gente, como profissional da saúde do Samu Manaus, que é a principal porta de entrada do SUS, precisa de uma resposta e um respeito à nossa categoria”, declarou.

Contexto: embate também envolve Prefeitura de Manaus

O episódio se soma a um embate mais amplo entre o governo estadual e a gestão municipal — responsável pelo Samu — sobre a origem da superlotação na rede de urgência. Em agenda pública recente, o governador Roberto Cidade chegou a acusar a Prefeitura de Manaus de concentrar ambulâncias em uma única unidade estadual de propósito, para criar a percepção de colapso na saúde pública, alegação reforçada pelo secretário Saraiva, segundo o qual equipes da pasta identificaram ocasiões em que sete ou oito ambulâncias ficaram paradas em um mesmo pronto-socorro. Até a publicação desta matéria, a Prefeitura de Manaus não havia se manifestado sobre as novas declarações da direção do Samu.

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