Impulsionada pela Zona Franca, Manaus é a única capital do Norte em ranking nacional de empregos do LinkedIn
Levantamento inédito da plataforma aponta a capital amazonense em 7º lugar entre as dez cidades brasileiras que mais geraram vagas e atraíram profissionais em 2025 — resultado puxado pelo desempenho do Polo Industrial de Manaus

Manaus é a única representante da Região Norte entre as dez cidades brasileiras que mais criaram empregos e atraíram profissionais em 2025. É o que mostra a primeira edição do ranking “Cidades em Alta 2026”, divulgado pelo LinkedIn nesta semana. A capital amazonense fechou o ano passado com 18.338 novos postos de trabalho formais, resultado impulsionado pelo desempenho industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), e ficou na sétima posição da lista — atrás de Natal, Recife, Goiânia, Fortaleza, Londrina e Vitória.
O fato de nenhuma outra cidade nortista aparecer na lista reforça um ponto que a própria plataforma destaca: o mapa das oportunidades de trabalho no Brasil está deixando de se concentrar apenas no eixo Sul-Sudeste, mas o avanço ainda é concentrado em poucos polos regionais — e, na Amazônia, esse polo é Manaus.
O que motivou a entrada de Manaus na lista
Segundo o levantamento, os setores que mais contrataram na capital amazonense em 2025 foram:
– Educação superior;
– Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos;
– Fabricação de máquinas, equipamentos e aparelhos para transporte de cargas e pessoas.
Entre os principais empregadores identificados pela pesquisa estão a Bemol, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Samsung Electronics — uma combinação que mistura varejo, ensino público e a indústria eletroeletrônica típica do Polo Industrial de Manaus.
O estudo também mapeou o formato das vagas oferecidas na região metropolitana: 16,4% dos anúncios eram para trabalho remoto e 6% para o modelo híbrido, patamares que o LinkedIn classifica dentro do que chama de “trabalho flexível”.
Quem lidera o ranking nacional
A lista completa das dez cidades, na ordem divulgada pelo LinkedIn, é:
1. Natal (RN)
2. Recife (PE)
3. Goiânia (GO)
4. Fortaleza (CE)
5. Londrina (PR)
6. Vitória (ES)
7. **Manaus (AM)**
8. Ribeirão Preto (SP)
9. João Pessoa (PB)
10. Cuiabá (MT)
Natal assumiu a liderança puxada pela combinação de turismo em expansão com o avanço da energia eólica: o Rio Grande do Norte responde por cerca de 30% da geração eólica do país e vem recebendo investimentos de fabricantes globais de turbinas. Recife aparece na sequência como polo tecnológico consolidado, muito em razão do Porto Digital, enquanto Goiânia e Cuiabá se destacam por comércio, serviços, logística e agronegócio. João Pessoa liderou a geração de empregos no Nordeste, com mais de 14 mil novas vagas puxadas por turismo e comércio.
Em nota à imprensa, Rafael Kato, Head Editorial do LinkedIn para mercados de língua não inglesa, afirmou que oportunidades de carreira, inovação e desenvolvimento econômico deixaram de se concentrar apenas nos grandes centros do eixo Sul-Sudeste, e que a lista busca justamente mostrar, com dados da própria plataforma, onde esse dinamismo está surgindo.
Como o LinkedIn chegou a esses números
Para compor o ranking, o LinkedIn analisou regiões metropolitanas brasileiras com menos de 2 milhões de usuários na plataforma — um recorte que exclui de saída metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro e dá visibilidade a cidades médias. Três indicadores entraram na conta:
1. Crescimento anual das contratações;
2. Aumento da demanda por vagas;
3. Saldo positivo entre profissionais que chegam e que deixam a região.
Os dados vêm de milhões de perfis de usuários e anúncios de vagas publicados no Brasil entre março de 2024 e fevereiro de 2026, incluindo a comparação entre quem se mudou para cada cidade e quem saiu dela.
O que isso sinaliza para quem procura emprego em Manaus
Para além da posição no ranking, dois pontos chamam atenção de quem acompanha o mercado de trabalho local:
– Concentração setorial: o crescimento amazonense ainda depende fortemente da indústria eletroeletrônica e de bens de transporte — setores historicamente associados aos incentivos fiscais da ZFM —, ao lado do peso do setor público de ensino superior.
– Espaço para trabalho flexível ainda limitado: com apenas 16,4% das vagas remotas e 6% híbridas, Manaus segue com um mercado de trabalho predominantemente presencial, refletindo o perfil industrial da economia local.
Levantamentos complementares do próprio LinkedIn sobre as profissões em alta no Brasil em 2026 apontam crescimento acelerado de funções ligadas a tecnologia, engenharia e segurança operacional, planejamento e finanças — uma tendência ainda concentrada em polos como São Paulo, Campinas, Curitiba, Recife e Brasília, mas que pode indicar o próximo movimento de diversificação para cidades como Manaus, caso a cidade continue atraindo investimentos para além do parque industrial tradicional.
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*Fontes: levantamento “Cidades em Alta 2026”, LinkedIn (divulgado em 22 de julho de 2026); reportagens complementares publicadas por Exame, Money Report, A Crítica, AJN1 e Portal do Amazonas.*
