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Operação que matou investigador do Denarc termina com suspeito morto, cinco presos e uma tonelada de drogas apreendida

Rafael Pereira Freitas, apontado como autor dos disparos contra Luciano Carvalho de Sena, foi morto em confronto em Itacoatiara; PM investigada por suposto envolvimento de um de seus cabos com a quadrilha

A morte do investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena, de 44 anos, baleado durante uma operação contra o tráfico de drogas no bairro Alvorada, em Manaus, teve um novo capítulo neste sábado (25/7): o principal suspeito de ter atirado contra o policial, Rafael Pereira Freitas, morreu em confronto com equipes do Denarc e do Core no distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara, a 176 km da capital. O caso, que já soma cinco pessoas detidas — incluindo um cabo da Polícia Militar — e mais de uma tonelada de entorpecentes apreendida, deve ganhar novos detalhes nesta segunda-feira (27/7), quando a Polícia Civil do Amazonas realiza coletiva de imprensa para apresentar a dinâmica completa do crime.

O crime que iniciou a caçada

Luciano Carvalho de Sena atuava havia mais de uma década no Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e participava, na sexta-feira (24/7), de uma operação para interceptar uma negociação de drogas envolvendo dois veículos no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus. Durante a abordagem a uma caminhonete, os suspeitos reagiram e abriram fogo contra a viatura descaracterizada da equipe. Atingido no pescoço e no braço, o investigador foi socorrido e levado ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Alvorada, mas não resistiu aos ferimentos.

Dentro do veículo abandonado pelos suspeitos na fuga, uma picape Volkswagen Amarok, os policiais encontraram cinco tabletes de drogas, encaminhados posteriormente para perícia.

A fuga e a morte do principal suspeito

Após o crime, a Polícia Civil divulgou cartazes com os nomes e as imagens de Rafael Pereira Freitas e de sua companheira, Mayara Silva da Silva, ambos apontados como envolvidos na ação. Os dois teriam abandonado a caminhonete e fugido a pé pela rua K, no bairro Alvorada 2, logo após o confronto.

Rafael permaneceu foragido até a madrugada deste sábado (25/7), quando equipes do Denarc e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) o localizaram no distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara. Segundo a Polícia Civil, houve nova troca de tiros no momento da abordagem: o suspeito atirou contra os agentes, que revidaram. Baleado, Rafael foi levado a um hospital da região, mas não resistiu.

Todos os veículos ligados ao caso, além de cápsulas de munição calibre 9 mm recolhidas nas cenas dos confrontos, foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) para perícia balística.

 As prisões: companheira, familiares e um policial militar

As investigações avançaram rapidamente também sobre outras pessoas ligadas ao caso:

– Mayara Silva da Silva, companheira de Rafael e apontada como cúmplice, foi presa na noite de sexta-feira (24/7) em um condomínio de luxo no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus. Segundo a polícia, ela estava na caminhonete abordada pela equipe do Denarc e ajudou a dar início ao confronto que resultou na morte de Luciano.

– Uma cunhada de Rafael e outro homem ligado à investigação foram detidos no sábado, sob suspeita de participação na rede de fuga e logística do grupo.

– Bruno Everson Pinto dos Santos, cabo da Polícia Militar do Amazonas, foi preso em flagrante e autuado por porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal de veículo automotor. De acordo com a apuração, a picape usada pelos suspeitos no crime tinha relação com o esquema investigado. A Corregedoria da PMAM abriu uma Sindicância Administrativa Disciplinar para apurar o grau de envolvimento do militar com o tráfico, enquanto a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da corporação já iniciou procedimentos internos para avaliar sua permanência nas fileiras da PM.

Ao todo, a investigação já soma cinco pessoas presas ou detidas, além da morte do suspeito apontado como autor dos disparos contra o investigador.

Uma tonelada de drogas apreendida

Em desdobramento direto das buscas pelos suspeitos, a força-tarefa apreendeu mais de 1.000 kg de entorpecentes. A Polícia Civil também obteve imagens de câmeras de monitoramento do bairro Alvorada, que registram a chegada da viatura descaracterizada do Denarc e a reação dos suspeitos no momento do crime — material que agora é analisado pelos investigadores para reconstituir a dinâmica exata da ação.

 Próximos passos: audiências e coletiva de imprensa

O cabo Bruno Everson Pinto dos Santos segue detido à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia. Os demais suspeitos capturados — entre eles Mayara Silva da Silva e o homem baleado durante a ação — foram encaminhados a delegacias especializadas e também aguardam os trâmites do plantão judicial criminal de Manaus.

A Polícia Civil do Amazonas confirmou, em nota, que equipes da PC-AM e da Polícia Militar do Amazonas atuam de forma integrada nas diligências, com apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), e que novas informações serão divulgadas conforme o andamento da ocorrência.

Uma coletiva de imprensa oficial está marcada para esta segunda-feira (27/7), às 11h, na Delegacia Geral. Na ocasião, a cúpula da segurança pública do Amazonas deve apresentar a dinâmica completa do crime, a linha do tempo entre a morte do investigador e a de Rafael Pereira Freitas, e detalhar o papel de cada um dos suspeitos presos na estrutura criminosa. As investigações continuam sob coordenação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e do Denarc, que buscam mapear a origem da droga apreendida e identificar outros possíveis integrantes do grupo.

Reportagem em atualização — novos detalhes devem ser incorporados após a coletiva de imprensa desta segunda-feira (27/7).

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