Política

Omar Aziz transforma convenção em demonstração de força e fura o discurso de polarização no Amazonas

Ao reunir 49 prefeitos — incluindo sete de siglas concorrentes — o senador expõe uma engenharia política que aposta na governabilidade municipal como principal ativo eleitoral, mesmo antes do início oficial da campanha

Números de convenção costumam ser lidos como termômetro de força, mas o dado que emerge do ato de Omar Aziz neste sábado (25 de julho), em Manaus, é menos sobre tamanho e mais sobre composição. Dos 49 prefeitos presentes — 79% dos 62 municípios do Amazonas —, sete vêm de partidos que lançaram candidaturas próprias e concorrentes à sua. Na prática, o senador conseguiu algo que a lógica bipolar da disputa deveria dificultar: mobilizar apoio municipal para além do próprio campo, num movimento que tanto expõe a fragilidade da coesão das siglas rivais no plano local quanto reforça a estratégia de Aziz de blindar sua candidatura com capital político do interior antes mesmo de a campanha começar oficialmente.

A base formal: PSD, MDB e Republicanos como espinha dorsal

A convenção conjunta que confirmou Omar Aziz (PSD) como candidato ao governo do Amazonas, com a deputada estadual Alessandra Campelo na vice, consolidou a aliança entre as três legendas que sustentam formalmente a chapa. Os 49 municípios representados não são apenas um número expressivo em si — são um indicativo de que a máquina municipal, historicamente decisiva em eleições estaduais no Amazonas, está majoritariamente alinhada a Aziz já na largada. Isso muda o cálculo de outros pré-candidatos, que precisarão disputar prefeituras uma a uma num terreno onde o adversário já parte com vantagem organizacional.

O dado mais revelador: prefeitos de oposição na plateia

O dado mais chamativo da convenção, porém, foi a presença de gestores vinculados a partidos rivais na disputa ao Palácio Rio Negro. Cinco prefeitos do União Brasil — legenda do governador Roberto Cidade e do pré-candidato ao Senado, o ex-governador Wilson Lima — assinaram a lista de presença:

– Darlan Taveira (Barreirinha)

– Adaildo Melo (Guajará)

– Dedei Lobo (Humaitá)

– Professor Vanilso (Japurá)

– Jander Barreto (São Sebastião do Uatumã)

Também esteve presente o prefeito Gerlando Lopes, de Lábrea, filiado ao PL — partido que lançará a professora Maria do Carmo ao governo e o deputado federal Alberto Neto ao Senado.

Completando o quadro de apoios “fora da linha”, a prefeita de Ipixuna, Paula Augusta (PSDB), também acompanhou o ato ao lado de Omar Aziz e do senador Eduardo Braga.

Do ponto de vista estratégico, esses sete nomes valem mais do que sua quantidade sugere. Prefeitos costumam evitar exposição pública contrária ao candidato de seu próprio partido justamente por dependerem de recursos estaduais e federais para a gestão local — comparecer à convenção de um adversário direto de sua legenda é um gesto que sinaliza pragmatismo administrativo sobrepondo-se à lealdade partidária. Para Aziz, isso funciona como prova de conceito: mesmo prefeitos formalmente comprometidos com Roberto Cidade, Wilson Lima, Maria do Carmo ou Alberto Neto reconhecem no senador um interlocutor necessário — ou, no mínimo, alguém que não convém antagonizar publicamente a dois meses do início oficial da campanha.

O caso do PSDB: presença hoje, indefinição para outubro

Apesar do gesto de Paula Augusta, o PSDB do Amazonas e o senador Plínio Valério — pré-candidato à reeleição — devem declarar apoio à chapa “Amazonas Forte de Novo”, grupo político concorrente ao de Omar Aziz. A sigla realiza sua própria convenção nesta segunda-feira (27 de julho), quando deve homologar a candidatura de Plínio ao Senado e apresentar as chapas de deputados federais e estaduais. Segundo apurado, os nomes para governador e para presidente da República provavelmente ficarão de fora da convenção tucana.

O episódio ilustra um fenômeno recorrente em eleições estaduais: a dissociação entre o discurso oficial de um partido e o comportamento de suas lideranças municipais. Enquanto a cúpula estadual do PSDB deve costurar acordo com o bloco governista, a presença de Paula Augusta ao lado de Aziz sugere que, no nível local, cálculos de sobrevivência política — acesso a emendas, obras e cargos — podem falar mais alto do que a orientação da legenda. É um padrão que tende a se repetir nas próximas semanas, à medida que outras siglas fecham suas próprias convenções.

## A lista de presença: 29 dos 49 nomes confirmados até o momento

O calendário das próximas convenções

O ciclo de convenções partidárias no Amazonas segue intenso nas próximas semanas:

– 1º de agosto: Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) realiza sua convenção.

– 4 de agosto: União Brasil oficializa a candidatura à reeleição do governador Roberto Cidade; no mesmo dia, o PL homologa a candidatura de Maria do Carmo ao governo, com Alberto Neto ao Senado, além das chapas de deputados federais e estaduais.

– 5 de agosto: prazo final da Justiça Eleitoral para homologação de todas as candidaturas e atas.

– 16 de agosto: encerramento do prazo de registro de candidaturas.

A matéria é com base na reportagem publicada neste domingo(26/07) no Portal BNC Amazonas,assinada pelo jornalista  Antônio Paulo, — Brasília

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