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Manifestação de ‘Amarelinhos’ termina com micro-ônibus incendiado em Manaus

Categoria protesta contra atraso de três meses no pagamento do subsídio da passagem estudantil; Prefeitura nega adesão em massa e fala em ação política isolada

Micro-ônibus “amarelinho” é incendiado durante manifestação de trabalhadores em Manaus — Foto: Foto: Daniel Ramos/Rede Amazônica

Trabalhadores do transporte alternativo, conhecidos como “Amarelinhos”, bloquearam o trânsito na manhã desta quinta-feira (2) na Avenida Grande Circular, no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus. Durante o protesto, um micro-ônibus foi incendiado, e o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para controlar as chamas. Não houve vítimas.

Passageiros que dependiam do transporte para chegar ao trabalho ficaram impedidos de seguir viagem por causa da paralisação. Agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) foram acionados para organizar o tráfego na região.

Segundo a categoria, 120 mil usuários utilizam o transporte alternativo nas zonas Leste e Norte da cidade. Ao todo, sete cooperativas operam o sistema alternativo na capital amazonense. As atividades foram retomadas ainda na manhã desta quinta-feira.

Motivo do protesto: subsídio estudantil atrasado

O presidente da cooperativa do transporte alternativo, Claudiomar de Sousa, afirmou que a paralisação ocorreu em função do atraso de três meses no pagamento do subsídio da passagem estudantil.

Segundo ele, a Prefeitura realizou uma licitação para 320 permissionários, mas a demora nos repasses tem inviabilizado a operação da categoria. Ele afirmou que já há veículos parados por falta de manutenção, sem previsão de retorno à ativa.

Hoje, o custo real de cada passagem é de R$ 8,30, e os passageiros pagam R$ 5. O restante é subsidiado pela Prefeitura de Manaus — incluindo a gratuidade estudantil. De acordo com a categoria, esses repasses não estão sendo feitos.

Sousa reforçou ainda que os trabalhadores estão sem dinheiro até para colocar diesel nos veículos, e que a situação já atingiu o limite.

A cobradora Jessica Tenazor completou que a categoria se sente esquecida pelo poder público:

“Todas as vezes que tentamos falar com o prefeito ou qualquer órgão nós somos silenciados. Nós somos pais de famílias e não temos condições de trafegar. O diesel é caro. Ou você come ou você faz a manutenção do carro.”

Passageiros relatam prejuízo

A paralisação afetou diretamente quem depende do transporte alternativo na rotina diária.

O industriário Raimundo Vieira, que estava em um dos micro-ônibus a caminho do trabalho, reclamou do transtorno: pagou a passagem e não conseguiu chegar ao destino no horário.

Já o estudante Lucas Santana saiu de casa às 5h, no bairro Lago Azul, e precisou descer do veículo no meio do trajeto. Como consequência, perdeu uma prova na faculdade.

Retomada e novo prazo

As atividades da categoria foram normalizadas ainda na manhã desta quinta-feira. Segundo os trabalhadores, tratou-se de uma paralisação de advertência, encerrada após a promessa da Prefeitura de Manaus de pagar os subsídios pendentes.

A categoria informou que, caso o pagamento não seja feito, uma nova paralisação está prevista para a próxima segunda-feira (6).

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio do IMMU, classificou a paralisação como uma ação isolada de uma única cooperativa, sem adesão da maioria dos permissionários, motivada por interesses políticos.

Segundo o órgão, as tratativas para implementação do subsídio avançaram, e os critérios de pagamento e o valor do benefício devem ser definidos ainda nesta semana, com base em estudo técnico do IMMU.

A Prefeitura destacou que o pagamento está condicionado ao cumprimento de critérios técnicos e administrativos, como:

  • Adequação das rotas e quadros de horários;
  • Capacitação dos operadores pela Escola Pública de Transporte Inclusivo;
  • Compromisso com a renovação da frota.

O órgão também ressaltou a conclusão do processo de licitação e regulamentação do sistema após mais de dez anos, o que, segundo a nota, garante segurança jurídica e organização ao setor. O subsídio referente às gratuidades estudantis segue em análise, após a entrega da documentação pelas cooperativas na quarta-feira (1º/7).

A administração municipal afirmou lamentar os transtornos causados, disse não admitir coação e garantiu que está acompanhando a situação para assegurar a continuidade do serviço.

Nota da Prefeitura de Manaus (na íntegra)

A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), informa que a interrupção do transporte complementar registrada, na manhã desta quinta-feira, 2/7, na avenida Autaz Mirim, foi uma ação isolada de uma única cooperativa, sem adesão da maioria dos permissionários, e motivada por interesses políticos.

A administração municipal mantém diálogo permanente com a categoria e reforça que avançou nas tratativas para a implementação do subsídio, ficando definido que os critérios de pagamento e o valor do benefício seriam estabelecidos ainda nesta semana, com base em estudo técnico elaborado pelo IMMU. O pagamento está condicionado ao cumprimento de critérios técnicos e administrativos, incluindo a adequação das rotas e quadros de horários, a capacitação dos operadores pela Escola Pública de Transporte Inclusivo e o compromisso com a renovação da frota.

A prefeitura também destaca a conclusão do processo de licitação e regulamentação do sistema após mais de dez anos, garantindo segurança jurídica e organização. O subsídio referente às gratuidades estudantis segue em análise, após entrega da documentação pelas cooperativas nessa quarta-feira, 1º/7. A administração lamenta os transtornos e reforça que não admite coação, e que está acompanhando a situação para garantir a continuidade do serviço.

Com informações do G1 Amazonas

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