Reportagem

Fundo eleitoral bilionário mira o Senado, e Amazonas terá quatro nomes de peso na disputa por recursos

PT e PL já detalharam quanto vão destinar às candidaturas ao Senado no país — R$ 62 milhões e até R$ 92,6 milhões, respectivamente. MDB, PSDB e União Brasil, partidos de Eduardo Braga, Plínio Valério, Alberto Neto e Wilson Lima, ainda não abriram essa conta, mas somam quase R$ 1,2 bilhão em recursos nacionais para a eleição

Os R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral liberados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a campanha de 2026 vão bancar também a disputa pelas duas vagas do Amazonas ao Senado — corrida que reúne o senador Eduardo Braga (MDB), o senador Plínio Valério (PSDB), o deputado federal Alberto Neto (PL) e o ex- governador Wilson Lima (União Brasil). Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que PT e PL, os dois partidos que mais recursos receberam no país neste ciclo, já divulgaram o tamanho da fatia reservada às candidaturas ao Senado. Os demais partidos com candidatos ao Senado no Amazonas ainda não fizeram o mesmo detalhamento.

A reportagem verificou a situação dos outros grandes partidos no país, na Região Norte e no Amazonas, e mostra por que a disputa pela Casa Alta se tornou prioridade nesta eleição — e o que ainda falta ser definido sobre o dinheiro que vai abastecer as campanhas amazonenses.

Por que o Senado ganhou peso nesta eleição

Em 2026, dois terços das 81 cadeiras do Senado serão renovados: cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, totalizando 54 vagas em disputa. O tamanho das bancadas eleitas em 2022 e mantidas nos primeiros quatro anos de mandato é, por lei, um dos critérios que definem quanto cada legenda recebe do Fundo Eleitoral — e ampliar a presença na Casa também tem peso político direto.

O Senado sabatina e aprova indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Central, agências reguladoras, embaixadas e tribunais superiores, além de decidir sobre a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte. Para condenar um ministro do STF ou o presidente da República são necessários 54 votos, dois terços do plenário — o que torna o tamanho das bancadas decisivo nesse tipo de votação.

Como é dividido o Fundo Eleitoral

O TSE distribuiu neste ano R$ 4.961.519.777,00 entre 30 partidos, seguindo critérios fixados em lei: 2% do total são repartidos igualmente entre todas as legendas registradas; 35% conforme os votos obtidos para deputado federal na última eleição geral; 48% de acordo com o tamanho da bancada na Câmara dos Deputados; e 15% na proporção do número de senadores titulares que estejam nos primeiros quatro anos de mandato. Depois de receber os recursos, cada direção nacional decide como distribuí-los entre Estados e candidaturas, respeitando cotas legais de gênero e raça e a homologação do TSE.

PT e PL: os números já conhecidos

O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, ficou com a maior fatia do fundo em 2026: R$ 881,7 milhões. Deste total, a legenda separou uma faixa própria de até 15% para o Senado — o equivalente a até R$ 92,6 milhões —, ante uma cota que em 2022 nem sequer era destacada da Câmara. O partido pretende lançar candidatos ao Senado em 24 unidades da Federação e hoje reúne 16 senadores, 11 deles eleitos em 2022.

Já o PT, segundo maior beneficiário com R$ 615,4 milhões, mais que quadruplicou a fatia destinada às candidaturas ao Senado em relação a 2022: de 2,48% para 10,08% do fundo do partido, o que representa um salto de cerca de R$ 12,5 milhões para R$ 62 milhões. A direção nacional ainda vai decidir como o valor será dividido entre Estados e candidatos, e os percentuais podem ser ajustados para cumprir as cotas legais. O partido lançou 17 nomes ao Senado em todo o país, menos Marcelo Ramos, que também disputaria uma das vagas do Amazonas,mas foi aconselhado a não lançar candidatura para deixar o  caminho livre para Eduardo Braga,numa manobra que envolveu até o presidente Lula.

Publicamente, dirigentes dos dois partidos associam o reforço de caixa à disputa por uma bancada maior. No PL, a cúpula projeta eleger mais 20 senadores em outubro, movimento que já era defendido por Jair Bolsonaro antes de sua prisão — ele chegou a dizer, em 2025, que “com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República”. No PT, a ampliação da bancada é tratada como prioridade para avançar pautas do governo, caso do fim da escala 6×1, aprovada na Câmara e ainda pendente no Senado.

MDB, PSDB e União Brasil: fatia nacional sem detalhamento por Casa

Os partidos de três dos quatro nomes na disputa amazonense também estão entre os que mais receberão recursos em 2026, mas nenhum deles tornou público — como fizeram PT e PL — quanto da verba será direcionado especificamente às candidaturas ao Senado:

• União Brasil — R$ 526,2 milhões (10,61% do fundo), partido do governador Wilson Lima. Na federação recém-formada com o PP (Federação União Progressista), a soma chega a R$ 943,3 milhões, superando o PL como maior bloco partidário do país.

• MDB — R$ 400 milhões (8,06% do fundo), partido do senador Eduardo Braga, que concorre à reeleição.

• PSDB — na federação com o Cidadania, o bloco soma R$ 208,1 milhões; é o partido do senador Plínio Valério, também candidato à reeleição.

A mesma regra que reserva 15% do fundo para a bancada do Senado vale para essas legendas, mas MDB, PSDB e União Brasil não divulgaram, até o fechamento desta matéria, qual fatia desse porcentual será reservada às candidaturas à Casa nem como o valor será repartido entre os Estados — etapa que, segundo especialistas em direito eleitoral, fica a critério das executivas nacionais e costuma ser definida mais perto do início oficial das campanhas, em 16 de agosto.

O Amazonas na disputa pelas duas vagas

No Amazonas, a corrida pelas duas cadeiras do Senado reúne pré-candidatos dos quatro partidos entre os que mais recursos vão movimentar no país neste ciclo. Eduardo Braga (MDB) busca a reeleição após mandatos como governador e ministro; Plínio Valério (PSDB) também tenta se reeleger; Alberto Neto (PL) concorre como deputado federal em busca do primeiro mandato na Casa; e Wilson Lima (União Brasil) disputa a vaga ao fim de dois mandatos como governador do Estado.

Assim como ocorre com PT e PL em nível nacional, ainda não há definição pública sobre quanto cada um dos quatro poderá receber do fundo eleitoral de sua legenda para a campanha ao Senado no Amazonas. Esse detalhamento — por Estado e por candidato — depende de decisão das executivas nacionais de MDB, PSDB e União Brasil, que ainda não divulgaram os critérios internos de partilha para 2026.

Região Norte também sente o efeito da renovação do Senado

O movimento observado no Amazonas se repete em outros Estados da Região Norte, onde a renovação de dois terços do Senado também eleva a disputa por recursos e por vagas. PT e PL, novamente, são os únicos partidos que até agora detalharam nacionalmente o tamanho da fatia do fundo reservada ao Senado; os demais partidos com candidaturas na região — caso de MDB, PSDB e União Brasil — seguem o mesmo padrão observado no Amazonas, sem divulgar publicamente os valores previstos para cada candidatura estadual.

O que ainda falta ser definido

Falta a etapa que mais interessa ao eleitor: quanto, de fato, cada candidato vai receber. Isso depende de três fatores que ainda não estão fechados — a definição interna de cada partido sobre a divisão entre Estados e nomes, o cumprimento das cotas legais de gênero e raça na aplicação dos recursos, e a homologação desses critérios pelo TSE. Até lá, os valores tratados neste texto se referem ao total nacional recebido por cada legenda e, no caso de PT e PL, à fatia já reservada ao Senado — não a valores individuais de campanha dos candidatos amazonenses.

Fonte: TSE, Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Senado Notícias e reportagem “PT e PL turbinam fundo para candidatos ao Senado”, publicada por O Estado de S. Paulo em 10 de agosto de 2026.

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