Reportagem

Trump se escondeu em contêiner de catering para deixar a Turquia em segredo após ameaça do Irã

Casa Branca confirma operação de despiste montada com o Pentágono após a cúpula da Otan em Ancara; presidente chegou a embarcar publicamente no avião oficial antes de ser levado, em segredo, para outra aeronave

Uma reportagem publicada nesta segunda-feira (10) pelo jornal americano The Washington Post revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado da Turquia em segredo no início de julho, após participar da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara. Segundo a publicação, a manobra foi motivada por uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã, país que faz fronteira com o território turco.

O episódio, mantido em sigilo por cerca de um mês, veio à tona em meio à escalada das tensões entre Washington e Teerã e reacendeu o debate sobre a segurança do transporte presidencial americano.

A versão pública dada em Ancara

Trump havia chegado à cúpula da Otan a bordo do novo avião presidencial, um Boeing 747-8 doado pelo governo do Catar — a primeira viagem internacional da aeronave. Antes de deixar a Turquia, porém, o presidente afirmou publicamente, inclusive em publicação na rede Truth Social, que retornaria aos Estados Unidos em um dos modelos mais antigos do Air Force One, dizendo que a escolha era “pelos velhos tempos” e uma forma de permitir que militares americanos baseados na região conhecessem de perto a nova aeronave. Ele negou, na ocasião, que a decisão tivesse qualquer relação com questões de segurança.

O plano de despiste

Nos bastidores, no entanto, um cenário bem diferente estava em curso. De acordo com autoridades americanas ouvidas pelo Washington Post e pelo New York Times, Trump foi informado ainda na Turquia sobre uma ameaça concreta contra sua vida e contra o próprio Air Force One. A partir disso, um grupo reduzido de autoridades de alto escalão montou, em questão de horas, um plano para tirá-lo do país sem que a ameaça fosse concretizada.

Participaram da operação o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth. Ambos coordenaram a logística junto à equipe de segurança presidencial, mantendo o esquema restrito a um número mínimo de pessoas justamente para preservar o sigilo.

O contêiner de catering e o avião “isca”

A execução do plano seguiu à risca o que havia sido anunciado publicamente: diante das câmeras, em Ancara, jornalistas e funcionários da Casa Branca embarcaram no antigo Air Force One, reforçando a versão oficial de que seria essa a aeronave usada pelo presidente. Essa comitiva funcionou como isca, atraindo qualquer atenção ou monitoramento para o avião “errado”.

Enquanto isso, Trump foi discretamente conduzido para fora da área de embarque dentro de um contêiner de serviço de bordo do aeroporto — o tipo de equipamento usado para transportar catering entre o terminal e as aeronaves — e levado até um terceiro avião, um C-32A da Força Aérea americana, modelo menor e menos associado à presença presidencial. Foi essa aeronave que efetivamente o levou de volta, com destino inicial ao Reino Unido, antes do retorno aos Estados Unidos.

Reação da Casa Branca

Questionada pelas duas publicações, a Casa Branca confirmou a existência da operação, mas evitou detalhar a natureza exata da ameaça recebida. O porta-voz presidencial reiterou uma nota já divulgada durante a semana da cúpula da Otan — na época, sem qualquer menção a um esquema de segurança —, desta vez retirando apenas um trecho que fazia referência a “distração e desinformação”. O Departamento de Defesa e a assessoria do general Caine encaminharam todas as perguntas sobre o episódio diretamente à Casa Branca.

Contexto: tensão crescente com o Irã

O episódio ocorreu em um momento de forte deterioração da relação entre Washington e Teerã, com a Turquia — país vizinho ao Irã e anfitrião da cúpula da Otan — no centro geográfico da tensão. A escolha de Ancara para sediar o encontro da aliança militar já havia elevado o nível de alerta das equipes de segurança presidencial mesmo antes da chegada de Trump ao país.

Por que o caso só veio à tona agora

O intervalo de cerca de um mês entre o episódio, ocorrido em 8 de julho, e sua revelação pública, em 10 de agosto, é atribuído ao caráter sensível da informação: autoridades que confirmaram os detalhes às duas publicações falaram sob condição de anonimato, justamente por se tratar de um assunto ligado à segurança pessoal do presidente. Até o momento, nem a Casa Branca nem o governo americano detalharam publicamente a origem exata ou o grau de credibilidade da ameaça iraniana que motivou toda a operação.

Fontes

The Washington Post, com informações replicadas pelo Poder360: poder360.com.br/poder-internacional/trump-fez-voo-secreto-para-sair-da-turquia-por-ameacas-diz-jornal

The New York Times, com informações replicadas pelo InfoMoney: infomoney.com.br/business/global/entenda-como-trump-usou-conteiner-de-catering-para-sair-da-turquia-apos-ameaca-do-ira

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