Quaest mostra Omar Aziz consolidado e a diferença para Maria do Carmo agora é de 18 pontos
Último levantamento antes da votação deste domingo (25) mostra o candidato do PSD crescendo em todos os indicadores desde 13 de outubro, a candidata do PL estagnada e um eleitorado cada vez mais decidido. Diferença nos votos totais saltou de 14 para 21 pontos.
A menos de 24 horas da abertura das urnas, a pesquisa Quaest divulgada neste sábado (24) desenha um cenário favorável ao senador Omar Aziz (PSD) na disputa pelo Governo do Amazonas. Nos votos válidos, ele soma 59% das intenções de voto, contra 41% da Professora Maria do Carmo (PL). São 18 pontos percentuais de distância, uma vantagem que fica muito acima da margem de erro de 2 pontos do levantamento.

Encomendada pela Rede Amazônica, esta é a última rodada da Quaest antes do 2º turno. Mais do que o placar, os números revelam uma tendência: entre a pesquisa anterior, de 13 de outubro, e a atual, Aziz avançou nos votos totais, na espontânea e na firmeza do eleitorado, enquanto a adversária recuou ou ficou parada.
O placar da reta final
No cenário de votos totais, que inclui brancos, nulos e indecisos, Aziz passou de 51% para 55%, um ganho de 4 pontos em onze dias. Maria do Carmo foi no sentido contrário: caiu de 37% para 34%. Com isso, a vantagem do candidato do PSD, que era de 14 pontos, subiu para 21.
| Candidato / opção | 13/10 | 24/10 | Variação |
| Omar Aziz (PSD) | 51% | 55% | +4 p.p. |
| Professora Maria do Carmo (PL) | 37% | 34% | -3 p.p. |
| Indecisos | 6% | 7% | +1 p.p. |
| Branco / nulo / não vai votar | 6% | 4% | -2 p.p. |
Votos totais. Fonte: Quaest / Rede Amazônica.
Um detalhe ajuda a dimensionar a distância. Mesmo que todos os 7% de indecisos migrassem para Maria do Carmo, ela chegaria a 41% dos votos totais, ainda 14 pontos atrás de Aziz. Para a virada, a candidata do PL precisaria, além disso, tirar votos já declarados do adversário, justamente no momento em que o eleitorado se mostra menos disposto a mudar.
Entenda os votos válidos
Os votos válidos são a forma como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulga o resultado oficial: consideram apenas os votos dados aos candidatos, deixando de fora brancos, nulos e abstenções. Vence no 2º turno quem obtiver 50% dos votos válidos mais um.
Para chegar aos 59% a 41%, a Quaest não faz uma simples conta proporcional sobre os votos totais. O instituto aplica o modelo conhecido como likely voter, que pondera as intenções de voto pelo perfil de comparecimento, dando mais peso a quem tem maior propensão a ir às urnas. Por isso o número dos válidos não coincide exatamente com o que se obteria apenas excluindo brancos, nulos e indecisos do cenário total.
Considerando a margem de erro, no cenário mais adverso para Aziz ele teria 57% dos válidos e Maria do Carmo, 43%. Ou seja, mesmo nos extremos da margem, não há sobreposição entre os dois candidatos.
Espontânea: Aziz absorve os indecisos
A pesquisa espontânea, em que o entrevistado responde sem ver a lista de candidatos, é considerada um termômetro da consolidação do voto. E é nela que aparece o movimento mais expressivo da reta final.
| Candidato / opção | 13/10 | 24/10 | Variação |
| Omar Aziz (PSD) | 42% | 49% | +7 p.p. |
| Professora Maria do Carmo (PL) | 30% | 30% | estável |
| Indecisos | 25% | 19% | -6 p.p. |
| Branco / nulo / não vai votar | 3% | 2% | -1 p.p. |
Pesquisa espontânea. Fonte: Quaest / Rede Amazônica.
A leitura dos números é direta: o contingente de indecisos encolheu 6 pontos, e o crescimento de 7 pontos de Aziz praticamente espelha essa redução. Maria do Carmo, por sua vez, ficou travada nos mesmos 30%. Na prática, os eleitores que definiram o voto nos últimos dias foram, em sua maioria, para o candidato do PSD. A diferença espontânea entre os dois passou de 12 para 19 pontos.
Ainda assim, 19% dos eleitores não citam nenhum nome de forma espontânea na véspera da eleição, um sinal de que parte do eleitorado só define o voto quando confrontada com as opções, ou mesmo diante da urna.
Voto cada vez mais cristalizado
Outro dado que reduz o espaço para surpresas é a firmeza do eleitor. Entre os que declaram voto em algum candidato, 90% afirmam que a escolha é definitiva, contra 84% na rodada anterior. A parcela dos que ainda admitem mudar caiu quase pela metade, de 16% para 9%.
| Decisão do voto | 13/10 | 24/10 |
| Escolha é definitiva | 84% | 90% |
| Pode mudar | 16% | 9% |
| Não sabe / não respondeu | 0% | 1% |
Com nove em cada dez eleitores convictos, a margem para que debates, propaganda ou acontecimentos de última hora mudem o rumo da disputa fica estreita. Para uma candidatura que está atrás, como a de Maria do Carmo, esse é o cenário mais difícil: o voto que poderia ser conquistado já foi, em grande parte, definido.
Interesse e comparecimento: o fator imprevisível
Se há uma variável em aberto, ela está no comparecimento. Menos da metade do eleitorado (49%) se diz muito interessada na eleição. Outros 35% se declaram pouco interessados e 15% afirmam não ter nenhum interesse, números praticamente iguais aos de 13 de outubro.
| Interesse pela eleição | 13/10 | 24/10 |
| Muito interessado | 48% | 49% |
| Pouco interessado | 37% | 35% |
| Nada interessado | 14% | 15% |
| Não sabe / não respondeu | 1% | 1% |
A abstenção costuma pesar em segundos turnos e pode afetar os candidatos de forma desigual, a depender de onde estão seus eleitores mais e menos mobilizados. É exatamente esse risco que o modelo likely voter tenta capturar ao estimar os votos válidos. Para as duas campanhas, a tarefa deste domingo é a mesma: levar o eleitor até a seção.
Do 1º ao 2º turno: o caminho até aqui
O resultado da Quaest confirma a posição de largada da disputa. No 1º turno, em 4 de outubro, Aziz terminou em primeiro lugar com 40,6% dos votos válidos, contra 24,5% de Maria do Carmo, segundo o TSE. Roberto Cidade (União), terceiro colocado, ficou na casa dos 22%.
A eleição de 2º turno, portanto, girou em torno da redistribuição dos cerca de 35% dos votos que ficaram com os demais candidatos. Pelos números da Quaest, Aziz conseguiu atrair uma fatia suficiente desse eleitorado para se aproximar dos 60% dos válidos, enquanto Maria do Carmo cresceu, mas não na velocidade necessária para encostar no adversário. No mesmo domingo, os eleitores também votam no 2º turno da eleição presidencial, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), o que dá à disputa estadual um componente de polarização nacional.
O que esperar deste domingo
Pesquisa é retrato de momento, não previsão de resultado. Mas o conjunto de indicadores da última Quaest aponta na mesma direção: vantagem acima da margem de erro, tendência de crescimento do líder, estagnação da segunda colocada, voto mais consolidado e queda no número de indecisos.
Para Maria do Carmo, uma virada exigiria um movimento de grandes proporções nas últimas horas, combinado com uma distribuição muito favorável da abstenção. Para Omar Aziz, que tenta voltar ao Palácio do Governo após anos no Senado, o desafio é evitar a desmobilização de um eleitorado que pode se sentir confortável com a vantagem. A resposta sai das urnas neste domingo (25), com a apuração logo após o encerramento da votação.
Adendo: o histórico da Quaest no 1º turno
Na véspera do 1º turno, em 3 de outubro, a Quaest divulgou sua última pesquisa para o Governo do Amazonas, também encomendada pela Rede Amazônica. O levantamento ouviu 1.800 eleitores entre 2 e 3 de outubro, com margem de erro de 2 pontos, e trazia, nos votos válidos, Omar Aziz com 40%, Maria do Carmo com 25%, Roberto Cidade com 24% e David Almeida com 11%.
O resultado das urnas ficou muito próximo do retrato do instituto. Pelos dados do TSE, Aziz obteve 40,6% e Maria do Carmo, 24,5%, ambos praticamente cravados e bem dentro da margem de erro. David Almeida terminou com cerca de 10,6%, também dentro da margem. A pesquisa ainda acertou a ordem dos candidatos e a necessidade de um 2º turno entre Aziz e Maria do Carmo.
| Candidato | Quaest (3/10) | Resultado (urnas) | Diferença |
| Omar Aziz (PSD) | 40% | 40,6% | 0,6 p.p. |
| Professora Maria do Carmo (PL) | 25% | 24,5% | 0,5 p.p. |
| Roberto Cidade (União) | 24% | cerca de 22% | cerca de 2 p.p. |
| David Almeida (Avante) | 11% | cerca de 10,6% | 0,4 p.p. |
Votos válidos. Fontes: Quaest / Rede Amazônica e TSE. Os resultados de Cidade e Almeida são da apuração parcial divulgada na noite de 4/10.
O único ponto com diferença maior foi Roberto Cidade, que a pesquisa colocava tecnicamente empatado com Maria do Carmo pela segunda vaga e que terminou cerca de 2 pontos abaixo do previsto, no limite da margem de erro. Mesmo assim, o desempenho no 1º turno reforça a credibilidade do modelo do instituto, que agora aponta Aziz com 59% dos votos válidos para este domingo.
| FICHA TÉCNICA DA PESQUISA Instituto: Quaest Contratante: Rede Amazônica Entrevistados: 2.154 eleitores de 16 anos ou mais Período de coleta: 23 e 24 de outubro de 2026 Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos Nível de confiança: 95% Registro na Justiça Eleitoral: AM-09902/2026 |
