Trump elogia Lula como “muito dinâmico” e celebra encontro na Casa Branca: “A reunião correu muito bem”
Presidentes discutiram comércio, tarifas, minerais críticos e crime organizado em encontro de cerca de três horas em Washington; próximas negociações já estão agendadas

O elogio de Trump
Ao concluir o encontro, o presidente dos Estados Unidos usou a sua plataforma Truth Social para saudar o resultado do dia. Em publicação na rede social, Trump escreveu que acabou de concluir a reunião com “o muito dinâmico presidente do Brasil” e afirmou que o encontro correu “muito bem”.
O americano destacou que os dois líderes debateram vários temas, com ênfase em comércio e, especificamente, tarifas, e anunciou que representantes dos dois países se reunirão nos próximos meses para tratar de “certos pontos-chave”.
O encontro na Casa Branca
Lula chegou à Casa Branca com cerca de 15 minutos de atraso e conversou com Trump a portas fechadas em uma reunião que durou cerca de três horas. O presidente brasileiro foi recebido pelo americano com um aperto de mão na entrada da residência oficial.
A reunião contou com a presença de ministros estratégicos das áreas de Relações Exteriores, Justiça, Fazenda, Indústria e Minas e Energia — cinco representantes de cada país. Havia expectativa de que os presidentes falassem à imprensa no Salão Oval logo no início, mas toda a agenda foi fechada para os jornalistas. Segundo a correspondente da CNN Brasil Mariana Janjácomo, o cronograma foi alterado a pedido do lado brasileiro.
Além da reunião formal, os dois líderes participaram de um almoço de trabalho, estendendo as conversas ao longo da tarde. Ao término do encontro, Lula deixou a Casa Branca rumo à Embaixada do Brasil em Washington, onde concedeu entrevista coletiva.
Os temas da pauta
Entre os assuntos tratados estavam as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, como aço, alumínio, cobre e móveis.
Na área de segurança, Lula afirmou em coletiva de imprensa que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para combater o crime organizado. O presidente brasileiro chegou à Casa Branca buscando avançar em dois temas principais: um acordo de cooperação no combate ao crime organizado e a redução de tarifas sobre produtos brasileiros.
Sobre minerais críticos, Lula declarou que o Brasil está aberto a compartilhar seu potencial no setor com outros países, inclusive os Estados Unidos, mas condicionou qualquer avanço à preservação da soberania nacional e à garantia de transferência de tecnologia.
Segundo Lula, a reunião foi importante para os dois países e não houve assunto “tabu”. Ele acrescentou que não foram abordadas questões ligadas às eleições presidenciais ou à classificação de facções criminosas como grupos terroristas.
O contexto da visita
Esta foi a primeira visita oficial de Lula à Casa Branca no governo Trump e a sexta vez que o petista adentra a sede do governo americano ao longo de sua trajetória política. O encontro desta quinta-feira foi precedido por uma série de aproximações diplomáticas, incluindo um encontro presencial em outubro de 2025, na Malásia, durante a cúpula da Asean, que transcorreu de forma positiva.
Ao encerrar a nota na Truth Social, Trump sinalizou continuidade nas negociações, afirmando que reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário.
