Esmaltes Impala com substância nociva à fertilidade são retirados do mercado por ordem da Anvisa
Consumidores que adquiriram os produtos têm direito à devolução e ao ressarcimento; ingrediente banido pode comprometer a capacidade reprodutiva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento imediato de toda a linha de esmaltes em gel da Impala que contém o TPO (Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide), substância classificada como tóxica para a reprodução humana e proibida no Brasil desde outubro de 2025. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (16) e atinge os produtos Plus Gel Esmalte Impala Gel, Esmalte Gel Impala Gel Plus, Gel Plus Impala Esmalte Gel, Esmalte Gel Plus Impala e Top Coat Gel Impala Gel Plus Clear.
O que está em jogo para o consumidor
Quem comprou os produtos afetados não está desamparado. O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) garante ao comprador o direito à substituição do produto, ao abatimento proporcional do preço ou ao ressarcimento integral do valor pago sempre que um item colocado no mercado representar risco à saúde. A Impala orienta os consumidores a contatar o SAC da empresa para obter orientações sobre a devolução — mas especialistas em direito do consumidor alertam que a busca por esse ressarcimento é um direito, não um favor da marca.
Por que a substância foi banida
A proibição do TPO foi decretada pela Anvisa em resolução publicada no Diário Oficial em 30 de outubro de 2025, ao lado de outra substância, a DMPT. A decisão se baseou em estudos internacionais realizados em animais, que confirmaram que o ingrediente apresenta risco de toxicidade reprodutiva, podendo prejudicar a fertilidade. A União Europeia também baniu o composto recentemente.
O TPO é comumente utilizado em produtos para unhas artificiais em gel e esmaltes em gel que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED para curar. O risco é maior para profissionais que trabalham diariamente com esses produtos, mas a própria Anvisa reconhece que usuários também estão sujeitos aos efeitos nocivos. Em sua decisão, a diretora Daniela Marreco destacou que a substância “reforça sua dimensão social”, uma vez que consumidores comuns igualmente podem ser afetados pela exposição.
O órgão regulatório ressalvou que “os eventos adversos estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas”, o que reduz — mas não elimina — o risco para quem usou o produto ocasionalmente.
O que a empresa diz
A Impala, do grupo Mundial SA, afirma que comunicou distribuidores e clientes sobre a interrupção das vendas e o recolhimento dos itens já em 28 de janeiro deste ano — antes, portanto, do prazo de 90 dias estabelecido pela Anvisa, que se encerrava em 2 de fevereiro. A empresa esclarece que nem todos os produtos da linha Impala Gel Plus continham TPO, restringindo-se o recolhimento às tonalidades específicas que utilizavam a substância.
A marca também argumenta que os produtos “foram desenvolvidos e comercializados em conformidade com o marco regulatório vigente à época de sua fabricação”, e que a restrição decorreu de uma atualização normativa posterior.
Se você tem algum dos produtos citados em casa, interrompa o uso imediatamente e entre em contato com o SAC da Impala para solicitar orientações sobre devolução e reembolso. Em caso de dificuldade no atendimento, o consumidor pode registrar reclamação nos canais do Procon de seu estado ou na plataforma federal consumidor.gov.br.
