Ir para o conteúdo
Política

Wilson Lima: Senado ou Palácio? A hora da decisão chegou

Governador convoca correligionários para reunião decisiva nesta segunda-feira (02/03) e coloca na mesa o seu futuro político

A CONVOCAÇÃO E O QUE ESTÁ EM JOGO

O governador Wilson Lima (União Brasil) convocou para esta segunda-feira (02/03), às 16h, uma reunião com núcleos de sua base política. O encontro acontece na sede do União Brasil, localizada na Rua Belo Horizonte, no bairro Adrianópolis, e reúne prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e secretários de Estado.

Nos convites distribuídos ao longo do fim de semana, Lima não menciona explicitamente nem candidatura nem renúncia. Mas essas duas possibilidades dominam os bastidores e são a razão real de toda a expectativa em torno do encontro. O governador havia anunciado, no início da semana passada, que divulgaria sua decisão em até dez dias — prazo que se encerra justamente nesta semana.

A pauta oficial é definir as diretrizes do partido para a sucessão estadual de 2026. A pauta real, contudo, é uma só: o que Wilson Lima vai fazer com seu futuro político?

WILSON VAI AO SENADO?

A hipótese que está na mesa nas últimas semanas é a de que Wilson Lima renuncie ao governo do Amazonas para disputar uma das duas vagas ao Senado Federal em 2026.

Sua intensa movimentação pelo estado — com inaugurações quase diárias e visitas a bases políticas na capital e no interior — é lida por analistas como sinal claro de pré-campanha em andamento. O próprio governador gosta de chamar essas entregas de “legado”, linguagem típica de quem está encerrando um ciclo.

Caso opte pelo Senado, Lima precisará renunciar ao mandato. Com sua saída, assume o vice-governador Tadeu de Souza, para quem o próprio Wilson articulou o apoio da Federação União Progressista, visando garantir-lhe condições de disputar a reeleição ao Executivo estadual em 2026.

 WILSON FICA NO GOVERNO?

A segunda hipótese — e que ganhou força após um revés político em Brasília — é Wilson Lima optar por cumprir o mandato até o final de 2026 e não se candidatar ao Senado.

Na quinta-feira passada (26/02), o governador esteve na capital federal tentando articular uma composição com o Partido Liberal. A estratégia era montar uma chapa conjunta para o Senado. A iniciativa, porém, não prosperou: o PL sufocou a negociação e, em encontro com o senador Flávio Bolsonaro, anunciou que lançará candidatos próprios, sem espaço para coligações com o grupo de Wilson Lima.

O recuo do PL deixou o governador com menos margem de manobra e reabriu o debate interno sobre a viabilidade de uma candidatura ao Senado sem esse apoio.

AS PESQUISAS E O PESO DOS NÚMEROS

O desempenho de Wilson Lima nas pesquisas eleitorais é um fator que pesa na decisão — mas que apresenta leituras contraditórias.

Levantamento do Real Time Big Data aponta Eduardo Braga (MDB) liderando as intenções de voto para o Senado com 43,4%, seguido de Wilson Lima com 38,1% e Capitão Alberto Neto com 28,4%.

Já a Direto ao Ponto Pesquisas coloca Wilson Lima em segundo lugar, com desempenho expressivo de 50% no interior do estado, onde disputa palmo a palmo com Braga, que marca 54%. Na capital Manaus, Lima perde para Alberto Neto, que lidera com 41%.

Analistas observam que Wilson Lima migrou da terceira para a segunda posição nas sondagens mais recentes — movimento que o próprio governador tem comemorado e que reflete sua pré-campanha aberta, com ações praticamente diárias em todo o estado.

Ainda assim, os números mostram que o governador enfrenta uma corrida competitiva, sem garantia de vaga, especialmente diante da força de Eduardo Braga e da incerteza sobre o apoio do campo bolsonarista após o fechamento do PL.

A DECISÃO E SEUS DESDOBRAMENTOS

A reunião desta segunda-feira será o termômetro mais preciso do que vem por aí. Wilson Lima terá diante de si dois caminhos opostos: liderar uma candidatura ao Senado — com todos os riscos que a disputa apresenta — ou optar pela segurança de concluir o mandato e deixar o campo aberto para Tadeu de Souza.

O que está claro é que a decisão do governador não é apenas pessoal. Ela vai redesenhar o tabuleiro político do Amazonas para 2026, definindo quem governa o estado, quem vai ao Senado e como o União Brasil se posiciona em meio a um campo de disputas cada vez mais fragmentado.

O relógio está correndo. E a resposta, pelo que tudo indica, sairá ainda nesta segunda-feira.

Receba mensagem no WhatsApp