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Manaus

Mais de 120 mil crianças de Manaus podem ficar sem acesso às creches

Vagas para creches disponibilizadas pela Prefeitura em 2026 são insuficientes para atender cerca de 135 mil crianças na faixa etária entre 0 e 3 anos

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Manaus abriu, na terça-feira (6), as inscrições para vagas em creches da capital amazonense. Porém, a estrutura disponível está longe de atender à demanda: são apenas 29 unidades municipais para uma população estimada em 135 mil crianças de 0 a 3 anos, conforme dados do último Censo Escolar.

Para 2026, a Semed prevê a oferta de 14 mil vagas. O problema é que, segundo a própria secretaria, seriam necessárias pelo menos 30 mil vagas para suprir a demanda existente. Com esse déficit, mais de 120 mil crianças correm o risco de ficar de fora do sistema de educação infantil.

Direito à primeira infância em risco

A especialista em educação Karidja Dantas alerta que o atendimento na primeira infância é um direito garantido por lei e fundamental para o desenvolvimento das crianças.

“É na primeira infância que a criança vai precisar de muito mais apoio e acesso a serviços de qualidade. É o momento em que ela precisa ser cuidada, educada e ter seus direitos assegurados. O impacto de não ter esse acesso é enorme, não só para a criança, mas também para toda a família”, ressalta.

O desafio das famílias

A auxiliar administrativa Keytiane Silva conhece bem a importância de conseguir uma vaga em creche. “Ter meu filho na escola em tempo integral me deu flexibilidade para fazer outras coisas fora de casa. Foi fundamental”, conta.

Neste ano, Keytiane decidiu estender a ajuda a outras famílias. Ela conseguiu realizar o cadastro dos filhos de dez mulheres que enfrentavam dificuldades com o acesso à internet. “É muito gratificante fazer isso. No ano passado, eu não tive uma ajuda assim e sei como é difícil”, relata.

Distribuição desigual pela cidade

A distribuição das creches municipais pela capital evidencia outro problema: a desigualdade regional. A Zona Leste concentra sete unidades, enquanto as Zonas Sul e Oeste contam com apenas três cada. A Zona Centro-Oeste possui somente duas creches. Já a Zona Norte, região mais populosa da cidade, dispõe de 13 unidades – ainda assim, insuficientes para a demanda local.

Como funciona a seleção

O secretário da Semed, Júnior Mar, explica que o processo de seleção é automatizado e segue critérios de prioridade estabelecidos. “A inscrição no CadÚnico, medidas protetivas, crianças com deficiência, mães trabalhadoras e mães adolescentes são alguns dos critérios que orientam o ranqueamento. Todo o processo é feito pelo sistema, sem intervenção humana”, detalha.

Perspectivas para o futuro

Segundo o secretário, não há previsão de construção de novas creches municipais em 2026. A estratégia da prefeitura para ampliar a oferta de vagas passa por parcerias com instituições privadas, modelo já adotado em cidades como São Paulo e Belo Horizonte. “Já lançamos o chamamento público para empresas interessadas nessa parceria”, informou Júnior Mar.

Enquanto as soluções não chegam, Keytiane segue mobilizada para ajudar outras mães e reforça o apelo: “Tem pouca creche para muita criança. Precisamos urgentemente de mais locais seguros para deixar nossos filhos”.

Com informações do G1 Amazonas

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