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COMBUSTÍVEL NO AMAZONAS: CONSUMIDOR PAGA CONTA DAS DISTÂNCIAS

Região Norte registra os maiores preços de gasolina e etanol do Brasil em 2025, com Manaus entre as cidades mais afetadas pela alta acumulada e pelos custos logísticos

Manaus, uma das maiores metrópoles da Amazônia, enfrenta uma realidade que pesa no bolso de motoristas, taxistas e trabalhadores de aplicativos: o combustível mais caro do Brasil. Em 2025, o litro da gasolina comum na capital amazonense variou entre R$ 6,29 e R$ 7,29, enquanto o etanol liderou a alta dos combustíveis no país, com avanço de 11% no preço médio, segundo levantamento do Monitor de Preço de Combustível. A situação reflete um conjunto de fatores que vão desde questões tributárias até problemas estruturais na cadeia de abastecimento da região.

O peso no bolso do consumidor

Dados do Procon Manaus mostram que em novembro de 2025 os menores valores encontrados foram de R$ 6,49 para a gasolina comum e R$ 5,45 para o etanol hidratado. No entanto, esses preços representam uma exceção. A região Norte teve os maiores preços entre regiões registrados no período, de R$ 6,81 para a gasolina e de R$ 5 para o etanol, valores que contrastam com a média nacional e evidenciam uma disparidade regional crescente.

Para os profissionais que dependem do veículo para trabalhar, o impacto é imediato. José Silva, taxista há 15 anos, relatou que precisa gastar mais de R$ 100 por dia para manter o veículo funcionando e que é impossível repassar todo esse custo para os clientes. A situação se agravou ainda mais com o aumento da alíquota do ICMS em fevereiro de 2025, quando o preço do litro da gasolina comum subiu 4,3%, passando de R$ 6,99 para R$ 7,29 na maioria dos postos.

A carga tributária e suas consequências

Um dos principais vilões do preço alto é a tributação. O ICMS sobre a gasolina sofreu aumento de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,37 para R$ 1,47, enquanto o do diesel foi de R$ 0,06 por litro. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e impactou todo o país, mas o efeito foi mais sentido em estados como o Amazonas, onde os custos logísticos já são elevados.

O ICMS no Amazonas se mantém em 20% sobre o combustível, um dos maiores do país. Essa alta carga tributária, somada aos desafios geográficos, cria um cenário de preços inflacionados que afeta diretamente o poder de compra da população local.

Logística amazônica: o custo da distância

Há características geográficas que dificultam o transporte na região Norte: grandes distâncias, acesso fluvial e pouca integração rodoviária. No interior do estado, a situação é ainda mais grave. Urucurituba (R$ 8,20), Apuí (R$ 8,16) e Boca do Acre (R$ 8,08) lideram o ranking nacional dos preços mais altos, refletindo os custos adicionais para levar combustível a municípios isolados.

O boletim mostra que a gasolina vendida no Norte tem margem de distribuição e revenda de 21%, contra 19% na média nacional, enquanto no diesel a margem no Norte é de 19%, acima dos 16% do país. Esses números revelam que a cadeia de distribuição na região opera com margens mais elevadas, encarecendo o produto final.

O contraste com outras regiões do país é evidente. A região Sudeste registrou os preços médios mais em conta para os dois combustíveis na primeira quinzena de janeiro, com médias de R$ 6,16 para a gasolina e R$ 4,21 para o etanol. A proximidade com as refinarias da Petrobras e a melhor infraestrutura logística explicam boa parte dessa diferença.

Em dezembro de 2025, os preços médios nacionais por litro foram de R$ 6,279 na gasolina comum e R$ 4,473 no etanol hidratado, valores que no Norte ficaram bem acima da média. Enquanto em Parazinho (RN) o litro da gasolina custa R$ 4,98, em Urucurituba (AM) ele sai por R$ 8,20, uma diferença de R$ 3,22.

Ranking das cidades com gasolina comum mais cara

Manaus (AM) – R$ 7,09

Boa Vista (RR) – R$ 6,98

Rio Branco (AC) – R$ 6,94

Belém (PA) – R$ 6,89

Porto Velho (RO) – R$ 6,85

Ranking das cidades com etanol mais caro

Manaus (AM) – R$ 6,29

Rio Branco (AC) – R$ 6,09

Boa Vista (RR) – R$ 5,99

Belém (PA) – R$ 5,85

Porto Velho (RO) – R$ 5,79

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